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som de entrada LAVRADOR DA ARADA (Proença a Nova, 1989)

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HÁ FESTA NA ALDEIA!

Podem proibir o povo de andar de TGV, de pôr os pés nos campos de golfe, de ouvir Sokolov na Casa da Música ou de dar um passeio no Douro num cruzeiro de luxo, mas ninguém pode proibir o povo de ir à missa, rezar a Nossa Senhora da Aparecida ou ver a banda a passar à frente da porta da igreja. Ainda que, para lá das cabeças, das pernas e dos intestinos de cera oferecidos à santa, o povo venha aqui mais para ver setenta homens a carregar um andor de 20 metros, o maior do mundo — dizem —, digno de figurar no livro do Guinness!

Afinal, pensem o que quiserem e digam o que disserem, mesmo sem dinheiro o povo também tem direito ao seu ridículo...

SENHORA DA APARECIDA Torno - Lousada, Agosto 2009

HISTÓRIAS DO SAGRADO E DO PROFANO

 

 

 

Noivas, senhoras e lavradeiras do Minho

De Maio a Setembro, nas grandes romarias do Minho brilham os andores e as procissões, as bandas filarmónicas e os ranchos folclóricos, os gigantones, os bombos, as concertinas e os cantadores ao desafio, mas as verdadeiras rainhas das festas são as Mordomas: noivas, senhoras e lavradeiras.

A FESTA DOS RAPAZES

Já foi o Natal! De 27 para 28 de Dezembro correu uma noite de folia em honra de S. João Evangelista, padroeiro da freguesia. Os rapazes, ávidos de gozação, estipularam o dia em volta da gigantesca fogueira que ainda fumega no largo do lugar.

OS POBRES NÃO TÊM FÉ

(...) em Pedrário, a bonita igreja de estilo românico mantém-se fechada. Nesta aldeia, a visita pascal já só se realiza de dois em dois anos. Albina Teixeira não vai à missa, que se realiza na aldeia vizinha de Sarraquinhos. Já perdeu a conta aos anos que viveu e está prestes a perder também a fé...

ALENTEJO: O sol do mendigo

«Pela manhã acorda tonto de luz. Vai ao povoado e grita: — Quem me roubou o sol que vai tão alto?»

MANUEL DA FONSECA

O sol do mendigo

BARROSO: AS FADAS, MULHERES DIVINAS

Maria Gonçalves Malta (82) e Felicidade Coelho (74)

Ser mulher no Portugal interior, serrano e profundo, é quase sempre e ainda sinal de dor e de luto. Lenços negros são indícios de perda: perda da juventude que tudo ameaçou ou perda do chefe da família que foi dominante ou — ainda mais doloroso — as duas perdas ao mesmo tempo.

BARROSO: DINHEIRO DO VENTO

Já quase não há gado. Nem linho, nem lã, nem roca. Agora a gente negoceia com o vento… As eólicas estão espalhadas por toda a montanha.

ALDEIAS SERRANAS DAS BEIRAS

ROMANCE DO HOMEM RICO

«Era um homem muito rico,/duas vezes viuvou,/arranjou a mulher pobre,/grande soberba apanhou...»

(tradicional)

HISTÓRIAS DO SAGRADO E DO PROFANO

(...) Todas estas romarias juntam, ano após ano, milhares de pessoas, e nelas subsistem ainda maravilhosos ritos do sagrado e do profano que se misturam e se completam num imaginário expressivo de fé e tradição.

AMARANTE: MIL VIDAS TEM S. GONÇALO

Em Amarante as Festas do Junho são dedicadas a S. Gonçalo (1187-1259). Monge disputado entre beneditinos e dominicanos, é adorado pelo povo e conhecido como casamenteiro das velhas, milagreiro e folgazão.

ALTARES INTERIORES

Muitas famílias, especialmente do interior, mantêm ainda o hábito de rezar diariamente em frente destes ícones, acreditando nos seus benefícios: «eles têm poderes que Nosso Senhor lhes consagrou e são exemplos da fé que lhes custou muitos sofrimentos.»

MONTESINHO: VIVER E MORRER DEVAGAR...

«A água no S. João vira vinho, azeite e não dá pão.»

HELENA SUBTIL, Réfega.

RETRATOS DA PENEDA-GERÊS

«A flor no baldio/Bota rosa quando quer./É como rapaz solteiro/Enquanto não tem mulher.»

MARIA TERESA, Pitões das Júnias

MARÃO: "FRAGAS SÃO OS MEUS OSSOS"

A serra do Marão é um território soberbo de água e de pedra. (...) A rudeza de quem aqui vive deve-se talvez às mesmas agrestes razões que sustentam opulentas vacas de um castanho muito escuro, cabras selvagens, coelhos bravos do monte, lobos, águias e grandes corvos de um negro carregado de muitas lendas de maus agouros…

FEIRAS DA RAIA TRANSMONTANA

MERCADOS TRADICIONAIS DO NASO E SENDIM

Para quem deixa o vale do Sabor ainda carregado de névoa e sobe até ao planalto mirandês, logo ao nascer do dia, seguindo por Carviçais, Fornos, Lagoaça, Mogadouro… há-de ver as carroças dos burros que tomam a estrada de betume com a carga das primeiras horas de um dia de trabalho, ainda na companhia dos seus velhos donos. Estes animais são a principal atracção dos Gorazes, todos os anos a 30 de Outubro.

RETRATOS & TRANSFIGURAÇÕES

«Tens agora/Outro rosto, outra beleza:/Um rosto que é preciso imaginar,/E uma beleza mais furtiva ainda…/Assim te modelaram caprichosas,/Mãos irreais que tornam irreal/O barro que nos foge da retina...»

MIGUEL TORGA

Transfiguração

VIDAS DE COMBOIO

VIAGEM NA LINHA DO DOURO

(...) A grande maioria dos utentes que circula entre as pequenas estações e apeadeiros são operários indiferenciados, pequenos comerciantes e idosos sem meios de transporte próprio, que têm de se deslocar diariamente para o seu trabalho, visitar familiares e amigos ou fazer as suas compras nos mercados locais. Fazem «vidas de comboio»

ALTO DOURO VINHATEIRO

De Ervedosa a Vale da Teja

DOURO PATRIMÓNIO MUNDIAL

«O Alto Douro Vinhateiro é uma zona particularmente representativa da paisagem que caracteriza a vasta Região Demarcada do Douro, a mais antiga região vitícola regulamentada do mundo.»

VIDA E MORTE CLANDESTINAS

MATANÇA DO PORCO

«A vaca é nobreza, a cabra é mantença, a ovelha é riqueza, mas o porco é tesouro.» (Popular)

Na Europa medieval a criação de porcos era um sinal de fartura e ao mesmo tempo uma oportunidade para o fortalecimento dos laços familiares, quer através da festa, quer através da partilha...