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som de entrada OS REIS (ext.) Chaves, 1986 |
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Donões, Cambeses do Rio, Arcos de Cervos, Mourilhe, Pedrário, Vila da Ponte e Vilar de Perdizes - Montalegre
«Olhe que ainda agora vim do monte com oito vacas e um boi tourão e quase vinte cabeças de rês e um jumento. A jumenta hoje não foi, que ele foi buscar uma carrada de milho com ela. E logo tornam a sair às 4 e meia/5 horas para o monte. Vêm depois às 8 horas para casa outra vez. Ainda ando com elas quase todos os dias. Ainda cheguei há pouco com elas. Foi ele... andamos a meter nas lojas, porque algumas estão paridas, têm os vitelos pequeninos, há lá um que já tem um vitelo para aí de 4 meses. Agora andam próximas mais a parir outra vez. Parem agora todas por aí fora... Temos o boi tourão... Temos tudo...» DANIEL RUA Arcos de Cervos, Montalegre, Agosto de 2010.
Em Vilar de Perdizes, a poucos quilómetros de Montalegre, o Padre António Fontes pode estar a fazer uma das suas últimas visitas pascais. Em tempos passados as pessoas recebiam o 'Compasso' com tapetes de flores, mas agora já são poucos os que abrem as portas para beijar a cruz. Ali perto, em Pedrário, a bonita igreja de estilo românico mantém-se fechada. Nesta aldeia, a visita pascal já só se realiza de dois em dois anos. Albina Teixeira não vai à missa, que se realiza na aldeia vizinha de Sarraquinhos. Já perdeu a conta aos anos que viveu e está prestes a perder também a fé... Pedrário e Vilar de Perdizes, Montalegre, Abril de 2009.
Vilar, Vilarinho Seco, Negrões, Aldeia Grande, Alturas do Barroso e Cerdedo
Já quase não há gado. Nem linho, nem lã, nem roca. Agora a gente negoceia com o vento… As eólicas estão espalhadas por toda a montanha.
Nos campos em volta da pequena capela de Santo Isidro, no alto da Pena Franga, bem à vista dos três cornos do Barroso (os majestosos cabeços que o diabo desenhou na montanha com a forma de chifres de bovino), junta-se grande parte do gado da aldeia para ser benzido durante a procissão ou simplesmente para cumprir promessas devidas por louvores recebidos, porque aqui o povo ainda tem fé. O padre auxiliar, antigo missionário em África que decidiu calcorrear estas serras desde Viseu, faz o elogio do santo lavrador e da festa simples, e aproveita a oratória para avisar sobre os males da cobiça e da avareza: «Vejam o que se passa no nosso país, assaltado por uma onda de corrupção sem fim, envolvendo grandes políticos e banqueiros que não hesitam em vender a alma para fazerem fortunas incríveis à custa do suor dos pobres.» Adivinha-se do sermão da missa de Pentecostes que o povo já não teme somente os males naturais (os fenómenos que mais impressionam a fantasia do homem: o fogo, o relâmpago, o furacão, o terramoto, os trovões... Ez. 37, 1-14), usados na Bíblia para contar as manifestações de Deus... Alturas do Barroso, Maio de 2009.
Vila Nova: A celebração da Primavera
Em Vila Nova, no Barroso, a Primavera dá-se numa folha de carvalho: a oferta é levada de casa em casa e entregue em mão pelas crianças — os duendes —, que circulam entre mostrengos, velhas desconfiadas que vestem de preto, carneiros, javalis, lobos, corujas e muitos outros animais da fauna local que povoam as lendas e os contos dos antepassados. Nesta aldeia escondida numa encosta sombria entre o Cávado e o Rabagão, às portas de Sidrós, no Gerês, e muito perto da Misarela (a famosa ponte que tem fama de boa parideira e onde Deus se cruza com o Diabo para resgatar as almas), há ruas e casas às quais o sol não chega durante três longos meses do ano. Tânia, escolhida entre as mais vistosas e simpáticas raparigas da freguesia, veste para este ritual carnavalesco a indumentária principal, com motivos fitomórficos: raízes, musgo, caules, folhas e flores, celebrando o fim do Inverno, dos tempos da abstinência da terra e das fracas colheitas. Chamam-lhe Primavera. Vila Nova, Montalegre, Fevereiro de 2010.
Vilarinho de Negrões:
Cipriano Martins & Josefina Seara
Reencontro com Josefina e Cipriano Nov2007
Cipriano lava a louça. Sentada no banco em frente da lareira, a sua esposa, Josefina, espera pela ambulância que a irá levar ao hospital mais próximo, a cerca de 60 km de distância; ela teve há pouco tempo um acidente vascular cerebral que a deixou paralisada. A ambulância pode vir hoje, ou depois de amanhã ou só na próxima semana. No interior norte de Portugal os serviços médicos são racionados: as pequenas urgências estão a ser encerradas, como os centros de saúde e as maternidades. Cipriano também está doente: cego de uma vista, sofre agora de dores nas pernas.
«Deve-se estar sempre bêbado. É a única questão. Afim de não se sentir o fardo horrível do tempo, que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra. É preciso que te embriagues sem trégua.» BAUDELAIRE
«Ele brada cravem mais fundo na terra vocês aí cantem e toquem agarra a arma na cinta brande-a seus olhos são azuis cravem mais fundo as pás vocês aí continuem tocando para dançar Leite negro da madrugada nós te bebemos de noite nós te bebemos ao meio-dia e de manhã nós te bebemos de noite nós bebemos bebemos…» ‘Fuga da morte’
«Ela sabe as palavras mas limita-se a sorrir. Mistura o seu sorriso no cálice de vinho: Tens de o beber, para estar no mundo.» ‘Sete rosas mais tarde’ PAUL CELAN
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ALDEIAS SERRANAS DAS BEIRAS
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ALENTEJO: |
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ALTARES INTERIORES |
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BARROSO I: Maria Malta & Felicidade Coelho |
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FESTA DOS RAPAZES Nordeste transmontano |
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FEIRAS DO NASO E SENDIM Planalto mirandês |
HISTÓRIAS DO SAGRADO E DO PROFANO |
MIL VIDAS TEM S. GONÇALO Amarante |
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MONTESINHO: Viver e morrer devagar... |
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PENEDA-GERÊS: Maria Vaz & Duas velhinhas muito velhinhas |
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PARA LÁ DO MARÃO Nordeste transmontano |
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RETRATOS & TRANSFIGURAÇÕES |
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VIDA E MORTE CLANDESTINAS: matança do porco |
Reportagem VIDAS DE COMBOIO Linha do Douro |
ALTO DOURO
VINHATEIRO |
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Por razões de segurança foram retiradas as identificações da
maioria das pessoas fotografadas.
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