ANTERO DE ALDA BARROSO 2

   FILMES  |  FOTOS RECENTES       

som de entrada OS REIS (ext.) Chaves, 1986

 

 

Donões, Cambeses do Rio, Arcos de Cervos, Mourilhe, Pedrário, Vila da Ponte e Vilar de Perdizes - Montalegre   SLIDESHOW 

2'32''  NOV 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

«Olhe que ainda agora vim do monte com oito vacas e um boi tourão e quase vinte cabeças de rês e um jumento. A jumenta hoje não foi, que ele foi buscar uma carrada de milho com ela. E logo tornam a sair às 4 e meia/5 horas para o monte. Vêm depois às 8 horas para casa outra vez. Ainda ando com elas quase todos os dias. Ainda cheguei há pouco com elas. Foi ele... andamos a meter nas lojas, porque algumas estão paridas, têm os vitelos pequeninos, há lá um que já tem um vitelo para aí de 4 meses. Agora andam próximas mais a parir outra vez. Parem agora todas por aí fora... Temos o boi tourão... Temos tudo...»

DANIEL RUA Arcos de Cervos, Montalegre, Agosto de 2010.

 

 

Em Vilar de Perdizes, a poucos quilómetros de Montalegre, o Padre António Fontes pode estar a fazer uma das suas últimas visitas pascais. Em tempos passados as pessoas recebiam o 'Compasso' com tapetes de flores, mas agora já são poucos os que abrem as portas para beijar a cruz. Ali perto, em Pedrário, a bonita igreja de estilo românico mantém-se fechada. Nesta aldeia, a visita pascal já só se realiza de dois em dois anos. Albina Teixeira não vai à missa, que se realiza na aldeia vizinha de Sarraquinhos. Já perdeu a conta aos anos que viveu e está prestes a perder também a fé...

Pedrário e Vilar de Perdizes, Montalegre, Abril de 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vilar, Vilarinho Seco, Negrões, Aldeia Grande, Alturas do Barroso e Cerdedo   SLIDESHOW 

2'11''  ABR 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já quase não há gado. Nem linho, nem lã, nem roca. Agora a gente negoceia com o vento… As eólicas estão espalhadas por toda a montanha.

 

Nos campos em volta da pequena capela de Santo Isidro, no alto da Pena Franga, bem à vista dos três cornos do Barroso (os majestosos cabeços que o diabo desenhou na montanha com a forma de chifres de bovino), junta-se grande parte do gado da aldeia para ser benzido durante a procissão ou simplesmente para cumprir promessas devidas por louvores recebidos, porque aqui o povo ainda tem fé.

O padre auxiliar, antigo missionário em África que decidiu calcorrear estas serras desde Viseu, faz o elogio do santo lavrador e da festa simples, e aproveita a oratória para avisar sobre os males da cobiça e da avareza: «Vejam o que se passa no nosso país, assaltado por uma onda de corrupção sem fim, envolvendo grandes políticos e banqueiros que não hesitam em vender a alma para fazerem fortunas incríveis à custa do suor dos pobres.»

Adivinha-se do sermão da missa de Pentecostes que o povo já não teme somente os males naturais (os fenómenos que mais impressionam a fantasia do homem: o fogo, o relâmpago, o furacão, o terramoto, os trovões... Ez. 37, 1-14), usados na Bíblia para contar as manifestações de Deus...

Alturas do Barroso, Maio de 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vila Nova: A celebração da Primavera   SLIDESHOW 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Vila Nova, no Barroso, a Primavera dá-se numa folha de carvalho: a oferta é levada de casa em casa e entregue em mão pelas crianças — os duendes —, que circulam entre mostrengos, velhas desconfiadas que vestem de preto, carneiros, javalis, lobos, corujas e muitos outros animais da fauna local que povoam as lendas e os contos dos antepassados.

Nesta aldeia escondida numa encosta sombria entre o Cávado e o Rabagão, às portas de Sidrós, no Gerês, e muito perto da Misarela (a famosa ponte que tem fama de boa parideira e onde Deus se cruza com o Diabo para resgatar as almas), há ruas e casas às quais o sol não chega durante três longos meses do ano.

Tânia, escolhida entre as mais vistosas e simpáticas raparigas da freguesia, veste para este ritual carnavalesco a indumentária principal, com motivos fitomórficos: raízes, musgo, caules, folhas e flores, celebrando o fim do Inverno, dos tempos da abstinência da terra e das fracas colheitas. Chamam-lhe Primavera.

Vila Nova, Montalegre, Fevereiro de 2010.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vilarinho de Negrões: Cipriano Martins & Josefina Seara   SLIDESHOW 

1'46''  NOV 2007

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reencontro com Josefina e Cipriano

Nov2007

 

 

Cipriano lava a louça. Sentada no banco em frente da lareira, a sua esposa, Josefina, espera pela ambulância que a irá levar ao hospital mais próximo, a cerca de 60 km de distância; ela teve há pouco tempo um acidente vascular cerebral que a deixou paralisada. A ambulância pode vir hoje, ou depois de amanhã ou só na próxima semana.

No interior norte de Portugal os serviços médicos são racionados: as pequenas urgências estão a ser encerradas, como os centros de saúde e as maternidades.

Cipriano também está doente: cego de uma vista, sofre agora de dores nas pernas.

 

«Deve-se estar sempre bêbado.

É a única questão.

Afim de não se sentir o fardo horrível do tempo,

que parte tuas espáduas

e te dobra sobre a terra.

É preciso que te embriagues

sem trégua.»

BAUDELAIRE

 

«Ele brada cravem mais fundo na terra vocês aí cantem e toquem agarra a arma na cinta brande-a seus olhos são azuis cravem mais fundo as pás vocês aí continuem tocando para dançar

Leite negro da madrugada nós te bebemos de noite nós te bebemos ao meio-dia e de manhã nós te bebemos de noite nós bebemos bebemos…»

‘Fuga da morte’

 

«Ela sabe as palavras mas limita-se a sorrir.

Mistura o seu sorriso no cálice de vinho:

Tens de o beber, para estar no mundo.»

‘Sete rosas mais tarde’

PAUL CELAN

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TODAS AS HISTÓRIAS

 

 

 

 

 

 

 

ALDEIAS SERRANAS

DAS BEIRAS

 

 

ALENTEJO:
ENSAIO SOBRE
A SOLIDÃO

 

ALTARES INTERIORES

 

BARROSO I:

Maria Malta &

Felicidade Coelho

 

FESTA DOS RAPAZES

Nordeste

transmontano

 

FEIRAS DO

NASO E SENDIM

Planalto mirandês

 

HISTÓRIAS

DO SAGRADO

E DO PROFANO

 

MIL VIDAS TEM

S. GONÇALO

Amarante

 

 

 

 

 

 

   

MONTESINHO:

Viver e morrer devagar...

 

 

PENEDA-GERÊS: Maria Vaz & Duas velhinhas muito velhinhas

 

PARA LÁ DO MARÃO

Nordeste transmontano

 

RETRATOS &

TRANSFIGURAÇÕES

 

VIDA E MORTE

CLANDESTINAS:

matança do porco

 

Reportagem

VIDAS DE COMBOIO

Linha do Douro

 

ALTO DOURO VINHATEIRO
De Ervedosa a Vale da Teja

   
                             
                             

Por razões de segurança foram retiradas as identificações da maioria das pessoas fotografadas.

Se a sua fotografia consta nesta página contra a sua vontade, por favor entre em contacto.

 

Bio  |  BLOGS   CâmarAntiga  |  os dias todos iguais...

antero de alda © Direitos reservados desde 2005