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ANTERO DE ALDA NORDESTE TRANSMONTANO
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Miranda do Douro
Feiras da raia transmontana
Velhos gorazes de Sendim
Para quem deixa o vale do Sabor ainda carregado de névoa e sobe até ao planalto mirandês, logo ao nascer do dia, seguindo por Carviçais, Fornos, Lagoaça, Mogadouro… há-de ver as carroças dos burros que tomam a estrada de betume com a carga das primeiras horas de um dia de trabalho, ainda na companhia dos seus velhos donos. Estes animais são a principal atracção dos Gorazes, todos os anos a 30 de Outubro.
Essa tue tan grande feira De trinta de Outubre yê tal Que nun beio nestas tiêrras Outra que le seia eigual.
«Gorazes» deriva do termo grego «gorax», que significa «carne de porco». É no Mogadouro que se realiza, todos os anos, a mais tradicional Feira dos Gorazes, que no passado anunciava o tempo da matança dos porcos e servia para cumprir as obrigações fiscais aos «senhores do Mogadouro», justamente com carne de porco.
Feira de Natal do Naso
À Feira de Natal no Santuário de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa, a poucos quilómetros de Miranda do Douro, chegam a 22 de Dezembro os forasteiros das vizinhas aldeias e vilas raianas: Palaçoulo, Genísio, Malhadas, Ifanes, Costantin, Moveros (já do outro lado da fronteira).
Como no Mogadouro, Sendim e muitas outras terras do planalto mirandês, no Naso também se realiza uma feira de burros, todos os anos entre 6 e 8 de Setembro.
Este povo que persiste em migrar no planalto frio para fazer as suas pequenas compras da natividade pouco terá já da tradição pírrica greco-romana, guerreira por excelência; conserva, porém, o orgulho da Festa dos Rapazes (uma espécie de Carnaval de Inverno), da dança dos Pauliteiros (danza de palos, na Galiza) e do dialecto norte-ibérico comum: la lhéngua mirandesa, de profunda tradição oral.
Cun pena, beio las feiras Nas aldés, a zaparcer, Onde se come la puôsta, Assi cumo debe ser!
An barracas, chicha assada De bitela mirandesa, Pinga, molete ou fogaça Yê l que eilhi ponan na mesa.
Que si cheira la assadura, Que bien sabe todo aquilho, Cun nabalha mirandesa I cun copo de quartiêlho!
Citações do Mirandês de «Miranda Yê La Mie Tiêrra» JOSÉ FRANCISCO FERNANDES Ed. autor, 1998.
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