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Amarante
Mil vidas tem S. Gonçalo
SLIDESHOW
FLASH
Em Amarante as ‘festas do Junho’ são dedicadas a S. Gonçalo
(1187-1259). Monge disputado entre beneditinos e dominicanos, é adorado
pelo povo e conhecido como casamenteiro das velhas, milagreiro e folgazão.
Seis
barracas de alcatrão
Grande orquestra de badalo
Eis aqui a grande festa
Que se fez a S. Gonçalo.
S.
Gonçalo já é velho
É velho e manganão
Quando passa pelas moças
Arrepia a fé pr’a mão.
Popular, cantado por ISABEL SILVESTRE
S.
Gonçalo de Amarante
Brincalhão e galhofeiro,
Vós sempre fostes das velhas
Devoto casamenteiro.
S.
Gonçalo de Amarante
Foi prior e bordão tem;
Mas com ele não nos bate
E nem faz mal a ninguém.
Rola
S. Gonçalo rola
Rola lá por aí a baixo
Quanto mais a vida rola
Quanto mais amores eu acho.
Hás-de saltar as fogueiras
À noite no arraial
Dançar com velhas gaiteiras
Uma dança divinal.
Popular
«Há bem poucos dias, o sacristão da Igreja de São Gonçalo, o nosso Manuel,
triste e desapontado, dava-me conta de que um certo devoto, em desespero
de causa, puxou a corda do São Gonçalo, com tal veemência, que o arrastou
do seu pedestal, para o chão…
«São Gonçalo até pode dar-nos um jeitinho, na superação do instinto
até à
elevação do amor, se em vez da força, ousarmos um pouco mais de imaginação.»
Da mensagem do Pároco por ocasião da Romaria a São Gonçalo 2006
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«Meninos de emprestar»,
numa caixa de paramentos (pequenos altares, tabernáculos, cálices,
galhetas, cruzes, vidraças artísticas, presépios e santos diversos) das
muitas dispostas ao longo do perímetro das arcadas dos claustros do
Mosteiro de S. Gonçalo.
Aqui
chegam crianças de todo o país: há sempre um Menino Jesus e um fato de
cerimónia disponíveis para quem quiser, à última hora, ornamentar à
procissão.
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Rapariga
solteira que venha às festas do Junho e não entre na igreja para puxar no
badalo do santo… corre o risco de nunca casar!
Também chegou ao Brasil a fama do santo de Amarante, casamenteiro
das
moças e violeiro (não é por acaso que ali o S. Gonçalo é representado
com
uma viola).
A secular 'Dança de S. Gonçalo' teve tradições na Bahia, Minas,
Paraíba,
Pernambuco, Ceará e São Paulo. Às antigas festas de
S. Gonçalo no templo
do Bonfim assistiam o governador e a nobreza,
atingindo os folguedos
excessos naturais, alimentados pelos
desregramentos e lascivos namoros dos
devotos vindos de toda a parte
para cumprirem promessas e associarem-se à
folia.
S. Gonçalo foi também título de um CD de Paulo Freire,
editado em 1997 com
o selo Pau Brasil (produção de Rodolfo Stroeter).
Neste, se diz que
«São
Gonçalo é o padroeiro dos violeiros, santo da fertilidade, casamenteiro e protetor das prostitutas.»
Roberto Corrêa escreveu a letra de uma das canções:
«Viva viva São Gonçalo
reviva São Gonçalim
na dança do entrançado
jornada do trancelim.
São Gonçalo violeiro
é tão triste o meu viver
eu aqui vivo banzeiro
sem ninguém pra me querer.
São Gonçalo do Amarante
seja lá de onde for
tire logo este quebrante
que é pr'eu ter um novo amor.»
A festa dura três dias e três noites. Começa e acaba com uma
salva de
morteiros e uma arruada de tambores. Os vários grupos tocam ao
desafio
num rufar ensurdecedor; vence aquele que (exausto) for o último a
pousar os instrumentos, lá para as quatro ou cinco horas da manhã.
Acabou a festa. Foi-se
«o Junho».
Amarante Retratos
SLIDESHOW
«Fui eu que tive, um dia, uma juventude adorável,
heróica, fabulosa, digna
de ser escrita em
lâminas de oiro?» (...)
RIMBAUD Trad.
Mário Cesariny
Cruel como os Assírios,
Lânguido como
os Persas,
Entre
estrelas e círios
Cristão só
nas conversas.
Árabe no sossego,
Africano no
ardor;
No corpo, Grego,
Grego!
Homem, seja
onde for.
VITORINO NEMÉSIO
Retrato
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