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som de entrada APANHA A SAIA (trad.) Vouzela, 1981 |
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Aldeias serranas das Beiras: Romance
do homem rico
«Era um homem muito rico, duas vezes viuvou, arranjou a mulher pobre, grande soberba apanhou...» JUEUS Tondela, Março/Abril de 2010
A LENDA DO MORTO QUE MATOU O VIVO Em tempos não havia cemitério na pequena aldeia da Pena, no concelho de S. Pedro do Sul, distrito de Viseu. Pessoa que ali morresse tinha de ser enterrada em Covas do Rio (logo abaixo de Covas do Monte), para onde era transportado o caixão, à mão ou numa padiola, por íngreme caminho. Conta-se que, certo dia de aziago, numa destas viagens um dos homens que carregava o defunto escorregou e o caixão caiu-lhe em cima... Assim, o tenebroso atalho ficou para sempre conhecido como «o caminho do morto que matou o vivo.» Verdade ou lenda, certo é que a história reflecte bem o isolamento em que ainda hoje se vive nas pequenas aldeias dos majestosos cabeços e escarpas afiadas das serras das Beiras: Caramulo, Freita, Arada, Montemuro...
PORTAL DO INFERNO Covas do Monte e Covas do Rio: não há lugares no mundo mais distantes de tudo. Para lá chegar é preciso avistar o Portal do Inferno — o vertiginoso precipício onde se cruzam as serras da Freita e da Arada, que esconde duas outras pequenas aldeias isoladas do resto do mundo, Regoufe e Drave, já desviadas da estrada que segue em direcção a Arouca. Em surdina diz-se por aqui que os homens mais temerários, mesmo devotos de S. Macário (e Nossa Senhora de Fátima), usam ainda as escarpas para se desfazerem das almas vadias. Símbolo desta justiça feita sem castigo e longe do olhar de Deus, em Macieira — do outro lado, na descida em direcção a S. Pedro do Sul —, o restaurante «Salva-Almas» expõe o santo em diversas poses provocatórias, com um grande falo de madeira escondido sob a armadura de cabedal e até por baixo do tampo falso da mesa da adega. MACIEIRA S. Pedro do Sul, Julho de 2010
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