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ANTERO DE ALDA NORDESTE TRANSMONTANO
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som de entrada FESTA DOS RAPAZES 2009 (directo) |
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A Festa dos Caretos, dos Rapazes,
dos Velhos e do Santo Menino (Podence, Constantim, Tó, Bruçó e Vale de
Porco)
«Os rapazes assim metamorfoseados são os verdadeiros animadores da festa. Tornam-se figuras diabólicas e mágicas, sob a máscara de latão pintado ou de madeira, o colorido dos seus fatos, com fitas, campainhas e chocalhos à volta do corpo. São os 'caretos', dificilmente identificáveis, se não de todo impossível, a quem toda a sorte de disparates, tropelias e brincadeiras lhes é permitido fazer. O mascarado torna-se um ser superior, mágico e profético, diabo e sacerdote ao mesmo tempo.»
António Pinelo Tiza Inverno Mágico - Ritos e Mistérios Transmontanos (Ed. Ésquilo, Lisboa, 2004)
Já foi o Natal! De 27 para 28 de Dezembro correu uma noite de folia em honra de S. João Evangelista, padroeiro da freguesia. Os rapazes, ávidos de gozação, estipularam o dia em volta da gigantesca fogueira que ainda fumega no largo do lugar. Assim, logo pela madrugada, vestem o 'Carocho' com uma máscara de couro, um rosário de carretos de linhas — já vazios — pelo pescoço e um enorme garfo de madeira que há-de recolher os salpicões ou fazer tropeçar as raparigas da aldeia. Juntam-se-lhe velhos gaiteiros, tocadores de bombo e de fraita (flauta pastoril, cinzelada na madeira) e os dançadores com seus chapéus decorados com rosas: os Pauliteiros de Constantim! No prolongamento da festa percorrem todas as casas, uma a uma: comem e bebem, dançam a pedido e lançam a lascívia do 'Carocho' sobre as filhas virgens do lar. E, porque na agonia do ano velho tudo se perdoa, trocam-se prendas e cumprimentos. A falsa fêmea do grupo da folgança (a 'Tiê Vielha', de blusa de chita estampada e com um rosário de castanhas assadas pelo pescoço) vem despedir-se da dona da casa, enquanto o chefe da família tem direito a lançar um foguete, que há-de dar sorte para o novo ano. À meia para as duas da tarde há missa. O profano dá lugar ao sagrado, mas a gaita soa com um 'lhaço' divino dentro do lugar santo. Os pauliteiros dançam na hora do ofertório. Depois da procissão à volta da igreja, o ritual da mesclagem entre o sagrado e o profano cumpre-se mesmo ali, em frente do cruzeiro, com o 'Carocho' e a 'Tiê Vielha' ensaiando gestos de acasalamento. Tudo não passa de uma cena de Carnaval de Inverno (um rito do solstício) em Constantim, terras de Miranda. E como diz o povo, «Ne Antruido fázen uas macadas que a la giente dá-le ua risa mui grande.»
Miranda yê la mie tiêrra (Aldeias de Miranda do Douro)
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