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Vilar, Boticas: Maria Gonçalves Malta
[A literatura mostra-nos] «As fadas, mulheres divinas, boas ou más, como símbolo do poder e as mulheres terrenas, premiadas ou castigadas, como símbolo da submissão ao poder masculino.» MARIZA B. T. MENDES, Em Busca dos contos perdidos: O significado das funções femininas nos contos de Perrault São Paulo, 2000
A civilização ocidental (cristã ou muçulmana, grega e romana) é patriarcal, arrogante e indisciplinada. Não existem costureiras famosas, cozinheiras famosas, cabeleireiras famosas apesar da costura e da cozinha e da estética serem tradicionalmente formas de subsistência (mais do que de identidade e afirmação ou poder) tipicamente femininas. A família é o mundo do homem por excelência, onde crianças e mulheres permanecem como seres quase insignificantes e amedrontados: não é ao homem que compete beijar a mão do clérigo...
Ser mulher no Portugal interior, serrano e profundo, é quase sempre e ainda sinal de dor e de luto. Lenços negros são indícios de perda: perda da juventude que tudo ameaçou ou perda do chefe da família que foi dominante ou — ainda mais doloroso — as duas perdas ao mesmo tempo.
Não há alegria nas viúvas senão quando a indisciplina feminina ultrapassa o exagero da indisciplina dos homens. Chamam-lhe aviltamento, desonra!
Aqui, o silêncio é de ouro para as fêmeas. É do macho que se espera a bem-falância: a oratória e a gravata compõem a personalidade masculina.
Vilarinho Seco: encontro com Felicidade Coelho
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