os dias todos iguais, esses assassinos...

 

 
      QUIM BARREIROS Cabritinha + EDITH PIAF Non Je Ne Regrette Rien

 

 

 

 

 

 

#195 NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© antero de alda

 

 

Pedófilos! Não há crime mais hediondo do que a ameaça à integridade sexual de uma criança.

Depois de seis longos anos de guerra judicial, os suspeitos dos crimes de pedofilia sobre os jovens alunos da Casa Pia foram finalmente condenados. Seguem-se os recursos.

Um médico, um advogado, um embaixador, uma figura célebre da comunicação social... Faltaram os políticos, esses energúmenos pederastas que vivem à custa do povo e que continuam, impunemente, a subjugar o país às mais dolorosas ausências e prescrições...

 

 

 

Idalina (74).

 

Covas do Rio-S. Pedro do Sul, Agosto de 2010.

#194 AS DONAS DOS BOLOS

 

 

 

Com papas e bolos... se enganam os tolos. Mas não é isso que move esta mulher bondosa de 82 anos, que percorre as festas e romarias a vender os famosos biscoitos de Teixeira, assim chamados porque há mais de um século que se fazem aqui, na freguesia de Teixeira, concelho de Baião. Ela, Isaura da Conceição, mais a filha Celeste e a velha Joaquina são... as donas dos bolos.

E assim «vai apagándose pouco a pouco este Agosto, este lume» (grazas, Xosé). É pimba, sim. E non, je ne regrette rien — avec mes souvenirs, j'ai allumé le feu!

Porridge and cake... That’s how you fool the people. But this is not what motivates this good 82 year old woman, who still travels to festivals and pilgrimages, to sell the famous Teixeira cookies, so called because they started being produced here, over a century ago, on the parish of Teixeira, council of Baião. She, Isaura da Conceição, plus her daughter, Celeste, and old Joaquina are... the owners of the cakes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© antero de alda

 

 

No meu querido mês de Agosto de 2010.

#193 APARECIDA

 

 

 

Há festa na aldeia!

Podem proibir o povo de andar de TGV, de por os pés nos campos de golfe, de ouvir Sokolov na Casa da Música ou de dar um passeio no Douro num cruzeiro de luxo, mas ninguém pode proibir o povo de ir à missa, rezar a Nossa Senhora da Aparecida ou ver a banda a passar à frente da porta da igreja. Ainda que, para lá das cabeças, das pernas e dos intestinos de cera oferecidos à santa, o povo venha aqui mais para ver setenta homens a carregarem um andor de 20 metros, o maior do mundo — dizem —, digno de figurar no livro do Guinness! Afinal, pensem o que quiserem e digam o que disserem, mesmo sem dinheiro o povo também tem direito ao seu ridículo...

Party in the village! They may forbid the people from taking the TGV, from setting foot on the golf courses, from hearing Sokolov at the Casa da Música (Hall of Music, at Oporto) or from taking a ride on a luxury voyage on the Douro river; but nobody can ban the people from going to mass, from praying the Our Lady of Aparecida, or from seeing the band marching, in front of the church’s door. Despite the wax heads, legs and bowels offered to the saint, the main reason for the people’s trip here, is to see seventy men carrying a 20 meters litter, the worlds largest – they say – worthy to figure in the Guinness book of records! All in all, no matter what they think or what they say, even with no money, the people is still entitled to its own ridiculous...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© antero de alda

 

 

Torno (Lousada), Agosto de 2010.

#192 A BELEZA DAS FALHAS

© joão veríssimo

 

 

 

O MEDO

 

Ah, se algum dia eu deixar de te ver!

 

Se desaparecer por trás do teu rosto

a luz acesa

do meu primeiro cigarro,

o longo beijo que derramo na jóia de nata

do teu pescoço,

reflectidos no espelho onde abrigas

a empírea lentidão

no olhar que envias à nudez extática

do teu corpo,

envolvendo-o na magia premonitória

da penumbra rendida

à chegada das centelhas,

eternamente geradas pela aurora.

 

Ah, se um dia deixarmos de ser nossos!

 

JOÃO VERÍSSIMO

 

 

Da série «Os Íntimos Espaços»

 

Laranjeiro, 2006.

#191 "WHITE WIDOWS"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© marc wattrelot

 

AS 'VIÚVAS DE BRANCO' DE VRINDAVAN

Numa sociedade patriarcal como a Índia a perda do marido representa um duro golpe no status social e económico da mulher. De acordo com o censo de 1991, a Índia tinha a maior população de viúvas do mundo: cerca 33 milhões, representando 8% da população feminina. Só na cidade de Vrindavan existem cerca de 9 mil.

Rejeitadas pelas próprias famílias e sujeitas a uma enorme pressão psicológica, as «viúvas de branco» refugiam-se em retiros religiosos reservados e veneram Krishna, o deus do amor, também conhecido por mestre supremo ou aquele cujos olhos são o sol.

Les veuves blanches adorent Krishna, le dieu de l’amour. Il y a environ 9000 veuves dans la ville de Vrindavan. Selon le Recensement de 1991, l’Inde avait la plus grande population de veuve au monde. Elles sont 33 millions soit 8 pour cent de la population féminine du pays. Dans une société patriarcale comme l’Inde, la disparition d’un mari sous entend également pour la femme une perte de son statut social et économique. Rejetées par l’ensemble de la famille, les veuves doivent faire face à d’immenses pressions psychologiques et sont forcées de s’installer dans des retraites religieuses qui leurs sont spécialement réservées.

 

Índia, 2007.

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