





© antero de alda
Em Vila Nova, no Barroso, a Primavera dá-se numa folha de carvalho: a oferta é levada de casa em casa e entregue em mão pelas crianças – os duendes —, que circulam entre mostrengos, velhas desconfiadas que vestem de preto, carneiros, javalis, lobos, corujas e muitos outros animais da fauna local que povoam as lendas e os contos dos antepassados.
Nesta aldeia escondida numa encosta sombria entre o Cávado e o Rabagão, às portas de Sidrós, no Gerês, e muito perto da Misarela (a famosa ponte que tem fama de boa parideira e onde Deus se cruza com o Diabo para resgatar as almas), há ruas e casas às quais o sol não chega durante três longos meses do ano.
Tânia, escolhida entre as mais vistosas e simpáticas raparigas da freguesia, veste para este ritual carnavalesco a indumentária principal, com motivos fitomórficos: raízes, musgo, caules, folhas e flores, celebrando o fim do Inverno, dos tempos da abstinência da terra e das fracas colheitas. Chamam-lhe Primavera.
CELEBRATION OF SPRING
In Vila Nova (Barroso mountain), the Spring is given through an oak leaf: the gift is offered in each house for the children — the elves — which carries between monsters, old ladies dressed in black, sheep, boars, wolves, owls and many other animals that populate the legends of the ancestors.
In this village, near Misarela (the famous bridge that has reputation for good child-bearing and where the devil meets with God to rescue the souls), some houses and streets have no sun for three long months of the year.
Tania, chosen among the most showy and nice girls in the village, dressed for the ritual carnival costume with vegetable motives: roots, moss, stems, leaves and flowers. She is the Spring. The time of poor harvests is almost over.
Fevereiro de 2010.






































