18.01.2010

AMI VITALE lua cheia americana

"I don’t know if it’s possible to get to a truth, but I’m searching for that." AMI VITALE Fonte: THE DIGITAL JOURNALIST, 2003.  

 

© AMI VITALE, Adema Balde Eyes, Dembel Jumpora, Guiné-Bissau s/d.

 

Quando a jovem Ami começou a trabalhar em edição de imagem para a Associated Press, pouco depois de se formar em Estudos Internacionais pela Universidade da Carolina do Norte, ela parecia-se ainda com uma adolescente fechada no seu pequeno universo interior, mas começava a perceber o que os mercados fotográficos de Nova Iorque e Paris estavam a pedir aos grandes fotojornalistas de todo o mundo. Talvez mais importante do que isso, ela descobriu que queria sair rapidamente da sua «introverted shell»: no seu íntimo, ela sempre achou que os fotógrafos são pessoas introvertidas à procura duma maneira de se relacionarem com o mundo («I think all photographers are introverts trying to find a way to bond with the world»).

Relacionar-se com o mundo foi, desde então, o que fez Ami Vitale, e já em 1999 — como disse Matt Brandon na The Digital Trakker de Dezembro desse mesmo ano —, talvez não fosse possível encontrar alguém que tivesse recebido tantos prémios e condecorações.

Com o dinheiro ganho a editar as imagens dos outros, sozinha e sem compromissos, Ami Vitale decidiu viajar para a Europa e fez a sua primeira grande paragem na República Checa, em 1997, porque estava impressionada com as notícias e as fotografias que lhe haviam chegado dos Balcãs. Desde então, nunca mais parou e segundo as suas contas já conheceu mais de 70 países nos cinco continentes.

Em alguns sítios onde esteve chegou a ter medo: Afeganistão, Kosovo e Índia (Caxemira, a partir de Nova Deli — onde viveu), foram lugares que a marcaram. Porém, numa entrevista concedida em Janeiro de 2003 à jornalista Susan B. Markisz, então colaboradora do The Digital Journalist, a já consagrada Ami Vitale confessou a sua paixão por África (onde também viveu).

Para explicar que a sua presença como pessoa era tão ou mais importante do que a sua presença como fotojornalista, disse que em muitos lugares onde esteve recolhia os seus alimentos e fazia as suas próprias refeições, lavava a sua roupa, brincava com as crianças na rua e assistia às cerimónias religiosas: missas, funerais, casamentos, circuncisões masculinas e femininas...

Na Guiné, os filhos de Fama Jamanka, a mulher que a acolheu na sua cabana de lama, admiravam-se com a sua falta de perícia para recolher a água do poço (Ami Vitale é franzina como todas as grandes mulheres). Com alguma dificuldade, ela explicou-lhes que para conseguir água na América só tinha de carregar num botão.

Certa vez, numa noite de lua cheia, ao verificarem a expressão de surpresa da fotógrafa depois de um magnífico pôr-do-sol, um grupo de crianças perguntou-lhe se na América não havia lua. Ami vivia então como elas, um dia de cada vez como se não houvesse futuro, e ainda assim não sabia bem o que lhes responder...

Ainda hoje, na sua casa em Miami, na Florida, onde trabalha para a National Geographic e para muitas outras organizações internacionais, quando há lua cheia ela lembra-se da Guiné e deixa que uma lágrima se solte dos olhos. E agora percebe, melhor do que nunca, por que é que essas crianças conseguiam lidar tão bem com a sua tragédia.

Viver com os pobres fez de Ami Vitale uma pessoa muito mais rica. Segundo as suas próprias palavras, ela ainda não sabe se existe uma verdade, mas continua a procurá-la.    

http://www.amivitale.com

 

14.01.2010

HAITI: desgoverno, pobreza, desastre...

"My heart goes out to the people of Haiti after this devastating earthquake. At this time of tragedy, I am very concerned for the people of Haiti and also for the many United Nations staff who serve there." BAN KI-MOON, Secretário-Geral da ONU. Fonte: United Nations Stabilization Mission in Haiti.  

 

A região das Caraíbas é muito atingida por tempestades e furacões, mas os especialistas dizem que no Haiti as catástrofes naturais assumem maior dimensão devido à desflorestação dos últimos 50 anos. No entanto, o terramoto de 12 de Janeiro que destruiu Port-au-Prince é apenas um dos muitos desastres — políticos, económicos e naturais — que afectam o Haiti há muito mais tempo, justificando a constante preocupação das Nações Unidas.

Desde a sua independência até ao princípio do século XX, 16 dos 20 governantes haitianos foram depostos ou assassinados. Entre 1957 e 1971 o país foi governado por François Duvalier («Papa Doc»), que implantou um regime de terror. Sucedeu-lhe o filho, Jean-Claude Duvalier («Baby Doc»), até 1986, e mais deposições e assassinatos.

As sucessivas guerrilhas internas e a incompetência dos governantes transformaram o Haiti num dos países mais pobres do planeta. Não fora isso e talvez as consequências não seriam tão graves para este povo duplamente infeliz.

 

© WALTER ASTRADA, série «Haiti 2004-2006».

 

© ALICE SMEETS, série «Growing-up in Haiti», 2007.

 

Walter Astrada: http://www.walterastrada.com

Alice Smeets: http://www.alicesmeets.com

 

05.01.2010

Bieke Depoorter: o grão da MAGNUM

"Uma boa foto tem de ser bem composta, ter substância e algum tipo de magia que não se pode explicar. Hoje as pessoas são muito desajeitadas ao fotografar. Certo formalismo ainda é importante, mas conteúdo também. Só fotos que têm os dois são memoráveis" ELLIOT ERWITT. Fonte: Folha de S. Paulo (entrevista), 2009  

O concurso para novos talentos da Magnum [ Magnum Expression Award ] premiou em 2009 a fotógrafa belga Bieke Depoorter, que apresentou um conjunto de imagens na sua maioria caracterizadas por ambientes onde a luz não abunda. Como resultado, grande parte das fotografias da série vencedora revela a existência de «ruídos», que em nada preocuparam a mais famosa agência fotográfica do mundo.

A fotografia analógica é atómica, caracterizada pela prevalência de haletos (sais) de prata sensíveis à luz, com capacidade para produzir um granulado inconfundível após a mistura química em laboratório. A prevalência de grão na nova fotografia digital já não tem origem nas referências ASA (American Standards Association), DIN (Deutsche Industrie Norme) ou ISO (Internacional Organization for Standardization) da película fotográfica: são alusões à métrica dos sensores das máquinas modernas, capazes de filtrar e gerir electronicamente as entradas de luz... Não obstante, para a maioria dos que já não usam o acetato dos filmes reveláveis, este novo «grão digital» pode igualmente traduzir emoções, sentimentos e posturas... Em suma: com mais ou menos formalismo, motivação e conteúdo.

Foi isso que a Magnum valorizou?

Até que ponto a agência fundada por Bresson não estará agora a admitir o fim da fotografia analógica, dos sais de prata, da gelatina, da camada anti-halo... enfim, da emulsão?

 

© BIEKE DEPOORTER/Magnum Expression Award, série «Oe menia — with me», Rússia 2009.

 

"For three periods of one month, I have let the Trans-Siberian train guide me alongside forgotten villages, from living room to living room. Some Russian words, scribbled on a little piece of paper, allowed me to be welcomed and absorbed in the warm chaos of a family. Accidental encounters led me to the places where I could sleep. The living room, the epicentre of their life, establishes an intimate contact between the Russian inhabitants. In this room, they sleep, eat and drink as well as cry. For a brief moment, I was part of this." BIEKE DEPOORTER

Bieke Depoorter nasceu em Kortrijk, Bélgica, em 1986. As fotografias premiadas pela Magnum abordam a vida de uma família russa com a qual a fotógrafa se familiarizou numa das suas viagens no comboio transiberiano.

 


os dias todos iguais, esses assassinos...

 

 
      ALL ANGELS Agnus Dei (ext., original de SAMUEL BARBER)

 

 

 

 

 

 

#135 CHILD LABOUR IN BANGLADESH

 

 

No Bangladesh perto de metade da população não atingiu ainda os 16 anos, pelo que o país vive muito da exploração do trabalho infantil. Quando são remuneradas, cada criança recebe cerca de 1 euro por cada dia de trabalho.

In Bangladesh a little less than half of the population not reached 16 years old [Discovery Bangladesh & CIA Worldfact Book], so this country lives from child labor. When they are payed, each child receives a little more than 1 dollar for each day of work.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© johannes abeling

 

Bangladesh, 2003.

#134 OS POBRES NÃO TÊM FÉ...

 

 

 

 

As crises não existem: existe riqueza e existe pobreza. Aquilo a que as pessoas chamam crise não é mais do que a redistribuição da riqueza pelos ricos. Assim, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Em Portugal, a recessão veio com a corrupção: políticos e empresários são acusados de envolvimento em negócios de dinheiro sujo...

No interior do país o povo é sacrificado pelas dificuldades de uma vida de rejeição e isolamento. Os serviços médicos estão a ser racionados: as pequenas urgências foram encerradas, assim como muitos centros de saúde e maternidades. A justiça é cara e só acessível a alguns.

O ordenado mínimo nacional é de 450 euros e o desemprego já ultrapassa os 10% da população. Cerca de 20% (2 milhões de pessoas) vive na pobreza.

 

THE POOR HAVE NO FAITH

Crises do not exist: there is wealth and poverty. What the people call crisis is not more than the redistribution of wealth by the rich. So, the rich get richer and the poor get poorer.

In Portugal the recession came with corruption: politicians and businessmen are involved in dirty business of money... The people of the interior is sacrificed for difficulties of live in a environment of isolation: hospitals and maternity wards are closing, the justice is very expensive and available only to the rich people, the national minimum wage is 450 euros (about $600)/mouth, unemployment reached 10% of the population... 20% of the population (about 2 million) live in extreme poverty.

 

 

 

© antero de alda

 

Maria José (77) e Maria Adelina Neto (80).

Genísio, Miranda do Douro, Dezembro de 2009.

#133 ADDIS HIWOT — THE ETHIOPIAN LEPROSY VILLAGE

 

 

A aldeia etíope Addis Hiwot foi fundada na década de (19)60 por missionários europeus com o apoio do governo central.
Após o golpe marxista em (19)74 os trabalhadores estrangeiros foram expulsos e a água e a electricidade desligadas. Os milhares de moradores que ficaram ressentem-se da aridez dos solos e da falta de cuidados de saúde adequados para tratar a sua lepra.

Mais de 30 anos depois, as condições de vida parecem insuportáveis, mas com a ajuda de alguns voluntários a situação está a melhorar lentamente...
 

The Ethiopian leprosy village, Addis Hiwot, was founded in the 60’s by European missionaries and received support by the Ethiopian government.

After the Marxist coup in ’74 the foreign workers were expelled, the water and electricity disconnected and thousand of villagers were left with arid fields and a lack of adequate healthcare to treat their leprosy. Over 30 years later the living conditions seem unbearable but with the help of a few devoted individuals the situation is slowly improving.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© agaton strom

 

Etiópia, 2009.

#132 «DE NADA, POUCO»

    

© paulo fogg

 

Exposição de Paulo Fogg no «Porto & Vírgula», Rua Campo Mártires da Pátria, 51, Porto. De 23 de Janeiro a 24 de Março.

 

Santa Cruz de Oleiros, Galiza-Espanha, 2009.

#131 JANELAS DO AFEGANISTÃO [AFGHAN WINDOWS]

Criança afegã preparada para uma dança oriental na escola ASIANA em Kabul.

An Afghan child attends a Japanese music and dance performance at the ASIANA school, Kabul. August 29, 2002.

 

 

 

 

 

Mulher afegã mostra a cara e o cabelo tratados num salão de beleza em Kabul.

Afghan woman after getting her hair and face made up in a beauty salon, Kabul. August 30, 2002.

 

 

 

 

 

Jovens afegãs aprendem a costurar através de um programa das Nações Unidas em Kabul.

Afghan girls learn to sew in a program run through the UN Habitat, Kabul. September 10, 2002.

 

 

 

 

 

Jovens afegãs carregam retratos do falecido líder Ahmad Shah Massoud numa cerimónia no Sports Stadium de Kabul.

An Afghan girl holds a portrait of slain leader Ahmad Shah Massoud during a ceremony in Kabul Sports Stadium. September 9, 2002.

 

 

 

 

 

Polícia afegã numa parada no Sports Stadium de Kabul.

Afghan police practice marching into Kabul Sports Stadium. September 8, 2002.

 

 

 

 

 

Mulheres afegãs sentadas ao lado dos seus filhos no Indira Gandhi Hospital for Children em Kabul.

Afghan women sit by their children in the Indira Ghandi Hospital for Children, Kabul. August 29, 2002.

 

 

 

 

 

Crianças afegãs da tribo Kuchi num acampamento perto de Spin Boldak, cidade fronteiriça entre o Paquistão e sul do Afeganistão.

Afghan children from the Kuchi nomadic tribe laughs despite the horrible living conditions in an encamptment near Spin Boldak, the border town between Pakistan and southern Afghanistan. September 4, 2002.

 

 

 

 

 

Crianças afegãs brincam perto de um cemitério talibã em Kandahar.

Kandahar. Afghan children fly kites near a cemetery where Taliban are buried. September 6, 2002.

© ami vitale

 

Afeganistão, 2002.

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