
Quinta do Valado (Douro vinhateiro), 2006.

Quinta do Esquilo Minho (Amares), 2006.
© teresa canelas
HOLGA, múltiplas exposições com filme de médio formato.
| ALESSANDRO BOSCHI Empuriabrava |
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Quinta do Valado (Douro vinhateiro), 2006.

Quinta do Esquilo Minho (Amares), 2006.
© teresa canelas
HOLGA, múltiplas exposições com filme de médio formato.


© justin mott
Num conhecido orfanato dos arredores de Hanói, no Vietname, estão internadas mais de uma centena de crianças com deficiências físicas e mentais irreversíveis. Abandonadas pelas suas famílias logo após o nascimento, estas crianças são apenas a parte visível de um número indeterminado de casos da terceira geração de vítimas do «agente laranja», o conhecido gás desfoliante usado pelo exército americano durante a guerra do Vietname na década de (19)60.
Somente um médico, duas enfermeiras e seis outros funcionários não especializados dão apoio a estas crianças. A carência de meios não permite a realização de testes médicos para identificar as suas famílias e do estado recebem apenas uma verba simbólica de aproximadamente 15 dólares mensais para cada uma.
Atendendo ao seu alto grau de deficiência e alienação, algumas destas crianças estão constantemente acamadas (sem possibilidades de realizar quaisquer actividades recreativas, físicas ou terapêuticas) e muitas outras são mesmo encarceradas durante a noite para evitarem acidentes ou agressões. Na sua esmagadora maioria, viverão aqui internadas para sempre.
A Associação das Vítimas do Agente Laranja está actualmente empenhada numa campanha contra as empresas americanas envolvidas na produção de dioxinas durante a Guerra do Vietname, numa tentativa de conseguir uma indemnização que lhes permita um apoio médico mais digno e uma maior qualidade de vida.
Severely disabled and abandoned at birth, 124
children live at the Ba Vi Orphanage and Elderly
home near Hanoi, Vietnam. They are believed to
be 3rd generation Agent Orange (a defoliant used
by the U.S. military during the Vietnam War)
victims, but nothing is known about their family
history and the Center lucks the resources to
conduct medical tests to prove such a link.
(...)
READ MORE
Ba Vi Orphanage and Elderly home, Hanoi, Vietname, 2008.

Cris (Tonawanda, New York)

Betcee (Studio City, California)

Meagan (Rochester, New York)
© frank petronio

Esta mulher ensinou-me a fotografar.
No dia 13 de Maio de 2006 eu estava em Vilar, Boticas, n'Os Dias da Criação — um encontro de poetas do norte de Portugal e da Galiza —, e mal sabia ligar a minha nova máquina digital.
O encontro com esta mulher, porém, ensinou-me que o conceito de fotogenia não é material, e desde então a interioridade e a condição feminina passaram a fazer parte da minha maravilhosa experiência foto-afectiva.
Estimo quem faça sombras, reflexos, arrastamentos... Admiro quem consegue registar, numa fracção de segundo, o improvável encontro de duas realidades que tão provavelmente se contradizem e no mesmo tempo se complementam. Ainda assim, para mim a fotografia é sobretudo um exercício de sedução, onde a condição humana é simultaneamente impositiva e reflexiva.
Maria Malta — mãe solteira, 82 anos em 2006 — está doente: para regular as batidas cardíacas foi-lhe implantado um gerador que produz estímulos eléctricos (um «marcapasso» artificial), que previne o bloqueio atrioventricular. Em resumo, o seu coração trabalha com uma pilha.
Há mais de um ano que não consigo vê-la: a família não me deixa entrar no seu quarto, talvez por vergonha das pobres condições em que vive. Ou então, com medo que o meu equipamento interfira com o mecanismo electrónico que a agarra à vida.
Até que a morte venha, sinto-lhe daqui as batidas do coração.

© antero de alda
«So you like to photograph old ladies?
Look! I was very pretty when I was 23 years old.
Would you like to see it?»
MARIA MALTA
82 years old, single mother
PHOTO STORY
Vilar, Boticas, Maio de 2006.



© andy spyra
Kashmir valley of tears
O drama do povo da Caxemira começou em 1947, depois da criação dos estados do Paquistão (de maioria muçulmana) e da Índia (de maioria hindu). O conflito terminou com a divisão do seu território entre paquistaneses, indianos e chineses. No sul, a população do Vale de Caxemira (o chamado Vale das Lágrimas) é obrigada a conviver diariamente com mais de 700 mil soldados e forças paramilitares indianas, que ameaçam a sua cultura, a sua religião e a sua língua. Muitas dessas forças têm as suas bases dentro das próprias cidades, o que provoca a revolta das populações.
It's the longest unresolved conflict in the history of the United Nations - the fight over the valley of Kashmir. Kashmir is not a poor region: unlike the rest of India it has rich natural resources and most of it's population lives in (for indian standards) considerable good conditions. But the uprising of the militancy, which started in the early 1990's, changed the fate of the valley and turned it into the so called "Valley of tears" and the highest militarised zone in the world (...).
Caxemira, 2008.

© carlos vilela
Santo Tirso, 2008.

© paulo fogg
esqueci muitas vezes tudo o que aprendi:
a vida: amar-te-ei, tu serás mil pessoas,
regressarei sozinho a casa e esquecerei
tudo o que aprendi.
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
Anémona de Janet Echelman
Matosinhos, 2009.


© manuel navarro forcada
Segundo Arthur H. Westing, conhecido professor do Hampshire College, para além do «agente laranja» o Pentágono utilizou vários outros esfoliantes igualmente com códigos de cor, como o «agente branco», o «agente azul» e o «agente violeta». Trinta e tantos anos depois, continuam a fazer o seu trabalho...
Vietname, 2001.

Malak, de 9 anos, foi ferido num atentado numa estrada de Kirkuk. As queimaduras desfizeram-lhe os dedos das mãos.

O pai do pequeno Abdullah lê uma passagem do Corão antes de mais uma intervenção cirúrgica.
© jiro ose
A escalada de violência no Iraque levou a organização francesa Médecins Sans Frontières (MSF) a abandonar o país. Ao abrigo de um protocolo de colaboração, a MSF conseguiu que algumas das vítimas da guerra (crianças, principalmente) fossem recebidas pelo Jordan Red Crescent Hospital, de Amã, na Jordânia, para realizarem cirurgias reconstrutivas.
Because of the escalating violence in Iraq, MSF France pulled their international staff from Iraq three years ago. Now they assist Iraqi hospitals across the border by providing drugs and medical supplies. They also set up a surgical program in cooperation with the Jordanian Red Crescent Hospital in Amman where they perform reconstructive surgery for patients who have been handicapped by injuries or incomplete procedures free of charge, including transportation from Iraq and back after the recovery.
Amã, Jordânia, 2008.







© antero de alda
Os primeiros troços da Linha do Douro foram mandados construir em 1867: têm cerca de 140 anos. O comboio que serve actualmente as populações das cidades-dormitório da periferia do Porto (Ermesinde, Valongo, Paredes e Penafiel) foi modernizado e é hoje um veículo de transporte igual aos das outras grandes metrópoles da Europa. No entanto, algumas carruagens que seguem até à estação do Pocinho (em tempos chegavam mais longe, até Barca d'Alva) circulam há mais de 30 anos.
A partir da estação de Pala o trajecto faz-se lado a lado com o rio e o comboio parece querer entrar nas águas do Douro.
No Verão, os turistas arriscam esta viagem de cerca de 163 quilómetros, que chega a demorar 3 horas e meia, só para poderem usufruir das magníficas paisagens desta região do Vinho do Porto — Património Mundial da UNESCO. Mas a grande maioria dos utentes que circula entre as pequenas estações e apeadeiros são operários indiferenciados, pequenos comerciantes e idosos sem meios de transporte próprio, que têm de se deslocar diariamente para o seu trabalho, visitar familiares e amigos ou fazer as suas compras nos mercados locais. Fazem «vidas de comboio».
The first sections of the Douro Line were built in 1867: they are about 140 years old.
The train, which currently serves the populations of towns on the outskirts of Porto (Ermesinde, Valongo, Paredes and Penafiel) has been modernized and is now a transport vehicle equal to the equivalent in many other large cities of Europe. However, some coaches that lead up to the station Pocinho (once reached further, to Barca d'Alva) have been circulating for more than 30 years.
From Juncal, the path is made alongside the river and the train seems to enter the waters of the Douro.
In summer, tourists venture this trip about 163 miles to get to take 3 hours and a half, just so they can enjoy the magnificent landscapes of this region of Port Wine — which is a UNESCO World Heritage site and was driven by the Portuguese, Spanish and English nobility. But the great majority of users that runs between the small stations and stops are unskilled workers, small shopkeepers and old people without their own means of transport, who have to travel daily to their work, visit family and friends or do shopping in the markets. They make «train lives».
Viagem no comboio da Linha do Douro: Porto (S. Bento)-Pocinho, Setembro de 2009.
VIDAS DE COMBOIO [Foto-reportagem]