os dias todos iguais, esses assassinos...

 

 
      GUSTAVO SANTAOLALLA Deportation Iguazu

 

 

 

 

 

 

#170 OS POBRES NÃO TÊM FÉ

© antero de alda

 

 

«O cidadão, hoje, não é um homem livre, é uma peça da máquina de opressão que se chama democracia. O cidadão é um homem que acredita no que o poder lhe diz. Agora, o poder diz que há uma crise terrível causada pelo facto do cidadão ter vivido acima das suas possibilidades e a única solução é o sacrifício. É falso. A crise é a fuga para a frente de um capitalismo desenfreado. (...) Viver já não é viver, é gerir a vida que temos e convertê-la num projecto rentável. Viver, em definitivo, é trabalhar. A nossa vida está precarizada e humilhada.» SANTIAGO LÓPEZ-PETIT em entrevista à revista Visão (20 de Maio)

 

«Durmo sempre muito bem e não tenho pesadelos». Foi o que Jean Claude Trichet, o digníssimo presidente do Banco Central Europeu, disse numa entrevista ao jornal i-online (22 de Maio). Disse, está dito. Definitivamente, a União Europeia é um ninho de ratos.

 

 

Vila da Ponte, Montalegre.

Maio de 2010.

#169 TRANSHUMANCE MAN

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© paulo fogg

 

 

A24 sentido Vila Real-Chaves, Lisboa, Leça da Palmeira e A1 Lisboa-Vila Franca de Xira, 2010.

#168 NEPAL COLOUR ME FREE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© manuela rodrigues

 

 

Annapurna e Katmandu

 

Nepal, 2009.

#167 OS POBRES NÃO TÊM FÉ

© antero de alda

 

 

 

POEMA FORA DE PRAZO

 

Tinha no frigorífico sete palavras capitais

à espera de um dia de míngua:

mãe, mulher, sonho e respiração,

uma certa medida de sal e liberdade

e ainda não foi para morrer que nós nascemos

(em memória de Jorge de Sena).

E ao lado uma reserva de Mallarmé.

 

Por baixo do código de barras

dizia para manter tudo em lugar fresco.

 

(.....................................)

Agora que tanta falta me fazia

o poema ultrapassou o prazo de validade.

De qualquer modo de nada me valia:

há muito tempo que não pago a conta

da electricidade.

 

ANTERO DE ALDA

A RESERVA DA MALLARMÉ

 

I'm afraid there is no money.

«Já não há dinheiro» foi o que o antigo secretário do Tesouro britânico disse ao seu sucessor, segundo o que consta dos jornais.

«Acabou-se a festa», terá dito, em Portugal, o presidente do BCP a propósito do estado a que chegou o nosso país. Mas acabou-se a festa como, se o nosso primeiro-ministro disse em Espanha que «para dançar o tango são precisos dois»? Será que o governo está a pensar recorrer ao ouro, agora que as notícias dizem que estamos bem posicionados no ranking dos países com as maiores reservas do mundo?

Desconfio do que dizem as notícias dos jornais, mas não tenho com que contradizê-las. A verdade é que os EUA, a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França estão no topo dos países com maior dívida externa, e Portugal — que a União Europeia aponta como um mau exemplo de gestão financeira (não duvido!) —, aparece em vigésimo primeiro lugar, logo a seguir à Grécia. Fonte: CIA World Factbook, Janeiro de 2009

Desiludam-se os que estão a pensar emigrar: na China, com quem temos de competir directamente no mercado, grande parte do trabalho é entregue às crianças, e nos países da Europa as dificuldades em criar emprego são tantas ou mais do que em Portugal.

Nunca fui muito apologista da UE: lá como cá, o que os ricos nos querem fazer crer é que o cidadão comum está a viver acima das suas possibilidades, representa para o Estado encargos insuportáveis e só é útil para pagar impostos e em anos de eleições.

Já não há dinheiro? Não acredito. O que já não há é Dignidade, nesta democracia desenhada no mesmo papel com que são feitos os jornais. O que já não há é homens com tomates.

 

POST-SCRIPTUM 1: A propósito (porque a vida não é só fotografia), vale a pena ler o que diz Manuel António Pina no JN de hoje: «A crise tornou-se uma questão de saúde pública; já não afecta só o Orçamento, afecta também a coluna vertebral».

POST-SCRIPTUM 2: Ainda a propósito, do mesmo JN de hoje: «Obama diz que o seu cão vale 1600 dólares». Porquê? Porque foi oferecido pelo antigo senador Edward Kennedy, entretanto falecido. Em suma, apesar de tudo temos muito a aprender com os americanos. A crise é só um estado de letargia da inteligência... ou do oportunismo.

 

 

 

Armindo (com Ana e Cristina Miguel). Constantim, Miranda do Douro.

 

Dezembro de 2009.

#166 POVO BERBERE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© rui pires

 

A Najla tem 11 anos e pertence ao povo negro da aldeia de Rahmlia, sul de Marrocos. A águia é um animal de estimação da família. Este povo tem a sua origem no Sudão, país originário do fundador da aldeia, que é famosa pelo seu grupo de música gnawa conhecido por “Pigeons du Sable” (foto anterior).

 

Erg Chebbi, Chefchaouen e Rahmlia, deserto do Sahara.

 

Marrocos, Maio de 2010.

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