15.03.2010
WALTER
ASTRADA
walk, walk, walk.
"Don't act like a photographer.
Don't think like a photographer.
Don't believe what you are thinking before you are seeing.
Walk, walk, walk. Do all these fast!
ALEX MAJOLI
Poucos fotógrafos poderão orgulhar-se de
ter recebido tantos prémios em tão pouco
tempo. Entre 2007 e 2010 Walter Astrada
recebeu três primeiros prémios no World
Press Photo, e só em 2008 foi premiado
por 14 vezes em concursos
internacionais.
E se as suas fotografias
são directas, violentas e
ensanguentadas, isto pode querer dizer
que aos média interessam as reportagens da
tragédia, a brutalidade com que é feita
a massa humana. Mas para
este «fotoperiodista
extremo» (como lhe chamam na Argentina,
onde nasceu em 1974)
isto quer dizer simplesmente que se
preocupa com o sofrimento dos seus
irmãos de sangue — a crueldade endémica
de alguns países da América Latina: na segregação contra
os travestis no Paraguai, na violência
contra as mulheres na Guatemala, na
ditadura do Haiti...
Contra
o democraticamente correcto, Astrada
queixa-se dos jornais que
recusam publicar as suas reportagens, que
qualificam de «muito duras». Numa
entrevista que concedeu em Agosto de
2008, confessa: «Creo que los magazines utilizan la excusa de que a los lectores les gusta leer noticias más "lights", cuando eso no es del todo verdad. Pero el miedo a perder la publicidad hace que no quieran tocar determinados temas.
Además, cuando tocan temas "sensibles", cada vez más suelen hacerlo de forma muy ligera. Por ejemplo, utilizando el retrato...».
O "retrato" é, sem dúvida, uma expressão
fotográfica muito pouco usada por
fotojornalistas como Walter Astrada. E,
porque a dimensão da tragédia implica
movimento, ele faz — melhor do que
ninguém — o que caracteriza o espírito
de Majoli: «Walk, walk, walk. Do all
these fast!».
Mas
faz também retrato...
Quer seja para
receber prémios ou para contrariar o
democraticamente correcto, Walter
Astrada
está no antes e no depois, no movimento
para a morte e no momento de retratar a
morte em si. Por isso ele queixa-se também dos políticos:
«No me interesan los políticos
(...), me interesa mostrar las consecuencias de sus malas gestiones.»

© WALTER ASTRADA,
Kenya's post election violence e Femicide in Guatemala.
Walter Astrada vive actualmente
em Madrid. Colaborador habitual das mais
importantes agências fotográficas internacionais (AP, AFP, WPN, Getty Images...),
admite que «Hay muchas probabilidades de que no llegue a cumplir los
60», porque «a veces, arriesgo
demasiado» (de uma entrevista a
Alesia Martinez, SOITU.ES, Junho
de 2009).
O segredo do seu
sucesso é a razão dos seus medos: caminha
lado a lado com a tragédia.
http://www.walterastrada.com