os dias todos iguais, esses assassinos...

 

 
      HENRYK GÓRECKI Symphony Nº 3

 

 

 

 

 

 

#010 XANDA, LX.

© luís mileu

#009 MOMENTOS RURAIS

 

 

 

 

 

© rui pires

 

 

Covas do Monte, S. Pedro do Sul, 2008.

 

#008 SILENCIO Y OLVIDO I-II

 

 

 

 

 

© leo simoes

 

 

Do projecto Silencio y olvido (desde 2008): «Etno-fotografías como densas invitaciones a las salas de estar y ser, y sus espacios

anexos, de los pobladores de una Alpujarra indomable. Un naturalismo mínimamente atrezzado, donde enseres comunes son

notas apenas perceptibles del interludio cotidiano, narrado con un lenguaje encaladamente nítido, y unos personajes que provocan

al objetivo, demandando al material resultante más foto-sensibilidad que nunca, y a la electrónica memorizar aquello que la amnesia

individual da por extinto. Con el derecho moral que conceden la cercanía y el respeto, se despliega un abanico público de variopintas

subjetividades — hoy, quizás reducidas; ayer, evocadoras de enormes vivencias.» (JAVIER BÚRDALO)

 

#007 FARANDULO...

© antero de alda

 

 

São sete e meia da manhã. O diabo solta-se e dá uma primeira volta pela aldeia à procura de raparigas solteiras. Parece um rei negro com uma coroa branca e preta na cabeça, um casaco cinzento vestido do avesso, uma saia escura e comprida, um colar de carrinhos de linha vazios pelo pescoço e pela mão um pau de ponta bifurcada para apanhar os enchidos nas casas onde consegue entrar.

A Sécia veste-se de noiva, de manto branco rendado na cabeça e pela mão um ramalhete de guloseimas com uma tangerina espetada no topo. Nas diversas investidas até à hora da missa é o Moço que a defende da cobiça e da volúpia do Farandulo...

Festa do Santo Menino ou do Farandulo, aldeia de Tó (Mogadouro), 1 de Janeiro de 2009.

 

#006 RITUAL DE PASSAGEM

 

 

 

 

 

© antero de alda

 

 

Os adolescentes carregam grandes bexigas de porco atadas na ponta de varapaus para provocar os mais velhos. Do desafio resultam demoradas perseguições que acabam em acesas disputas entre novos e velhos, num ritual de passagem à idade adulta.

No seu passeio pela aldeia o Soldado tanto oferece como protege a Sécia (a mulher, que traz uma boneca ao colo), e às provocações do povo — «Maria, vais com todos, sua galdéria!» — responde com fortes açoites de cinturão de couro para defender a honra.

Do casal de Velhos que compõem as quatro figuras do cortejo espera-se que imponha respeito. Com os seus cajados vão limpando as ruas das bexigas que sobraram da violência dos confrontos.

A festa termina com o arrematar das oferendas recebidas para o altar de Nossa Senhora.

Festa dos Rapazes ou dos Velhos, Bruçó (Mogadouro), 25 de Dezembro de 2008.     FESTA DOS RAPAZES

 

#005 SÓ QUERO SILÊNCIO...

© paulo fogg

 

 

 

Eu só quero silêncio neste porto

Do mar vermelho, do mar morto

Perdida, baloiça

No ritmo das águas cheias

Quero ficar sozinha neste espanto

Dum tempo que perdeu a sua forma,

Quero ficar sozinha nesta tarde

Em que as árvores verdes me abandonam.

 

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

 

#004 LOIVOS DO MONTE

 

 

Quis ser um dia, jardineira

de um coração.

Sachei, mondei — nada colhi.

 

Quis ser um dia, jardineira

de um coração.

Cavei, plantei.

Na terra ingrata

nada criei....

 

CORA CORALINA

 

 

 

© antero de alda

 

 

«Portugal possui, ainda, sinais de uma pobreza tradicional, muito associada ao mundo rural, e onde a privação de indicadores mínimos de conforto é clara...» POEFDS (Programa Operacional Emprego Formação e Desenvolvimento Social)     NOTÍCIAS DA TERRA

 

#003 MULHERES

 

 

Mulheres fotografadas por mulheres, mulheres que se fotografam a si mesmas, mulheres fotografadas por homens, homens ou mulheres que fotografam homens que parecem mulheres e homens que se fotografam a si mesmos como mulheres.

 

 

Coimbra. Encontros de Fotografia, 20 anos.

 

© carlos vilela

 

#002 O MAR VAI PELOS ARES...

© paulo fogg

 

 

O céu desembaraça-se do sangue, espalha-nos

agora a solidão ervas nos rostos.

 

O mar vai pelos ares.

Não há, a bem dizer, forma

nenhuma de o coser com a esperança.

 


LUÍS MIGUEL NAVA


 

 

#001 POEMA INACABADO... (Casa da Música, Porto)

 

 

Pa  a sua protecção,

este lugar encontra-se

sob vigilância de um

circ          fechado de

televisão, procedendo-se

a gravação de imagem

Artº. 13º.   e Decreto-Lei n.º35/2004

  e 21 de Fevereiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© antero de alda

 

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