os dias todos iguais, esses assassinos...

 

 
      CAT POWER The moon

 

 

 

 

 

 

#130 VIDA BELEN

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© meridith kohut

 

Belén, no distrito de Mérida, a poucos quilómetros da cidade fronteiriça de San Cristóbal, é uma «zona vermelha» do norte da Venezuela, controlada pelos traficantes de droga da vizinha Colômbia. As imagens (em cima) testemunham a dor dos familiares de mais uma vítima da violência nas ruas, para a qual a polícia — também ela envolvida em negócios ilícitos — não encontra solução.

Em baixo, numa cena de violência na telenovela «Mulheres Assassinas», Alexandra cobre os olhos da pequena Samantha: ela deseja que a criança continue os seus estudos e receba uma educação católica para poder fugir deste mundo cruel em que nasceu.

 

On the top (2): Portraits of life in Belen, a red-zone sector in Venezuela heavily controlled by Colombian narco-traffickers. (...)Karina mourns the death of her cousin, Maximo, during his burial in the Belen cemetery. Maximo was shot outside of his family home in the center of Belen. Police investigators say they have no leads on his case, which will most likely never be further investigated nor solved. Rampant police corruption and incompetence lead residents of Belen to seek their own street justice or revenge.

Alejandra covers Samantha's eyes during a murder scene in the popular late-night soap opera, "Women Assassins" at their home in the red-zone-sector of Belen in Merida, Venezuela. (...)Alejandra says she wants Samantha to have a better life than the one she has lived, and is diligent about teaching her the importance of school, having Christian values and making good decisions.

Venezuela, 2008.

#129 PASSEIO

© sérgio carvalho

 

Pela rua de Santa Catarina.

Porto, 2009.

#128 MULHERES DO BARROSO: FELICIDADE COELHO

© antero de alda

 

«Este novo punctum, que já não é forma, mas intensidade, é o tempo, é a ênfase dolorosa do noema ('isto foi...'), a sua representação pura.» (Roland Barthes).

A reflexão barthesiana do tempo fotográfico difere do conceito de «momento decisivo» de Bresson, porque, como diz Ruth Iana Ferreira (Fotografia/Tempo: Imagem mental e emoção), se «atribuímos ao objecto fotografado uma vida exterior ao que realmente nos é apresentado, o desejo de ver mais além do que o visível...», também nos apercebemos que há na fotografia «dois tipos de morte: a morte instantânea – o momento do disparo e respectiva paragem no tempo – e a morte previsível – esse noema que é 'isto será...' e 'isto foi...'».

Mais ou menos criativos, os retratos serão sempre testemunhos do encontro dos vários tempos (o tempo congelado e o tempo previsível, o tempo criativo e o tempo antropológico...) que a fotografia representa.

 

Felicidade Coelho foi fotografada nos anos (19)80 pelo fotógrafo francês Gérard Fourel. Em 2007, reencontrei-a quando ela própria já não tinha a noção do seu tempo de vida: pensa-se que terá agora 76 anos.

Doente de Alzheimer, partiu para a América, para casa de uma filha, em Março de 2009. Partiu para morrer.

 

«(...) Ele vai morrer. Leio ao mesmo tempo: isto será e isto foi. Observo, horrorizado, um futuro anterior em que a morte é a aposta. Dando-me o passado absoluto da pose (aoristo), a fotografia diz-me a morte no futuro.

O que me fere é a descoberta desta equivalência. Diante da foto da minha mãe criança, digo para mim mesmo: ela vai morrer.

Estremeço, como o psicótico de Winnicott, perante uma catástrofe que já aconteceu. Quer o sujeito tenha ou não morrido, toda a fotografia é esta catástrofe.»

ROLAND BARTHES, A Câmara Clara, cap. 'O Tempo como Punctum', 1989: Edições 70, colecção Arte & Comunicação, Lisboa.

 

 

GÉRARD FOUREL, anos 1980

 

ANTERO DE ALDA, 2007

 

 

Being a woman in the interior of Portugal, highlander and deep, it´s almost always a sign of pain and grief. Dark scarves are traces of a loss: the youth loss which threatens everything or the loss of the chief of the family who was dominant or — even more painful — two losses at the same time.

The family is the world of the man by excellence, where children and women stay as beings almost insignificant and frighten: it´s not the men´s job to kiss the hand of the priest… There isn´t any joy in the widows unless whenever the female indiscipline overcomes the outrage of the male´s discipline.

They call it abjection, dishonour!

Kiss, people! It seems to be this, in spite of all, the only musical scream of these women almost without existence, resigned and altruist; without other power except the power of taking care of the insignificant (the kitchen, the children…). Women so many times in tears, but always waiting for a better world, rehearsing an escape at last; a hymn to joy.   PHOTO STORY

 

 

Vilarinho Seco, Março de 2007.

 

#127 ONE WORLD, ONE TRIBE

© reza

 

Dança tradicional no mosteiro de Galata Mevlevi, em Istambul (antiga Bizâncio, até 330 d.C., e Constantinopla, até 1453).

Estas danças (rodopios dervixes — monges muçulmanos) são executadas durante várias horas, sem interrupção, em memória de Mevlâna Jelaleddin Rumi (1207-1273), filósofo e poeta místico que proclamava a união dos povos em torno de um ideal de paz, amor e tolerância. Actualmente, constitui um dos cartazes turísticos mais importantes da Turquia.

 

Istambul (Turquia), 1993.

#126 QUOTIDIANO(S) III

© paulo fogg

 

Vigo, 2008.

 

#125 LUGARES SONHADOS

Quinta do Valado (Douro vinhateiro), 2006.

 

 

 

 

 

 

Quinta do Esquilo Minho (Amares), 2006.

© teresa canelas

 

 

HOLGA, múltiplas exposições com filme de médio formato.

#124 LEGACY OF HORROR

 

 

 

 

 

© justin mott

 

Num conhecido orfanato dos arredores de Hanói, no Vietname, estão internadas mais de uma centena de crianças com deficiências físicas e mentais irreversíveis. Abandonadas pelas suas famílias logo após o nascimento, estas crianças são apenas a parte visível de um número indeterminado de casos da terceira geração de vítimas do «agente laranja», o conhecido gás desfoliante usado pelo exército americano durante a guerra do Vietname na década de (19)60.

Somente um médico, duas enfermeiras e seis outros funcionários não especializados dão apoio a estas crianças. A carência de meios não permite a realização de testes médicos para identificar as suas famílias e do estado recebem apenas uma verba simbólica de aproximadamente 15 dólares mensais para cada uma.

Atendendo ao seu alto grau de deficiência e alienação, algumas destas crianças estão constantemente acamadas (sem possibilidades de realizar quaisquer actividades recreativas, físicas ou terapêuticas) e muitas outras são mesmo encarceradas durante a noite para evitarem acidentes ou agressões. Na sua esmagadora maioria, viverão aqui internadas para sempre.

A Associação das Vítimas do Agente Laranja está actualmente empenhada numa campanha contra as empresas americanas envolvidas na produção de dioxinas durante a Guerra do Vietname, numa tentativa de conseguir uma indemnização que lhes permita um apoio médico mais digno e uma maior qualidade de vida.

Severely disabled and abandoned at birth, 124 children live at the Ba Vi Orphanage and Elderly home near Hanoi, Vietnam. They are believed to be 3rd generation Agent Orange (a defoliant used by the U.S. military during the Vietnam War) victims, but nothing is known about their family history and the Center lucks the resources to conduct medical tests to prove such a link. (...)    READ MORE

 

Ba Vi Orphanage and Elderly home, Hanoi, Vietname, 2008.

#123 ALTERNATIVE BEAUTIES

Cris (Tonawanda, New York)

 

 

 

 

 

Betcee (Studio City, California)

 

 

 

 

 

Meagan (Rochester, New York)

 

© frank petronio

 

#122 MULHERES DO BARROSO: MARIA GONÇALVES MALTA

 

Esta mulher ensinou-me a fotografar.

No dia 13 de Maio de 2006 eu estava em Vilar, Boticas, n'Os Dias da Criação — um encontro de poetas do norte de Portugal e da Galiza —, e mal sabia ligar a minha nova máquina digital.

O encontro com esta mulher, porém, ensinou-me que o conceito de fotogenia não é material, e desde então a interioridade e a condição feminina passaram a fazer parte da minha maravilhosa experiência foto-afectiva.

Estimo quem faça sombras, reflexos, arrastamentos... Admiro quem consegue registar, numa fracção de segundo, o improvável encontro de duas realidades que tão provavelmente se contradizem e no mesmo tempo se complementam. Ainda assim, para mim a fotografia é sobretudo um exercício de sedução, onde a condição humana é simultaneamente impositiva e reflexiva.

Maria Malta — mãe solteira, 82 anos em 2006 — está doente: para regular as batidas cardíacas foi-lhe implantado um gerador que produz estímulos eléctricos (um «marcapasso» artificial), que previne o bloqueio atrioventricular. Em resumo, o seu coração trabalha com uma pilha.

Há mais de um ano que não consigo vê-la: a família não me deixa entrar no seu quarto, talvez por vergonha das pobres condições em que vive. Ou então, com medo que o meu equipamento interfira com o mecanismo electrónico que a agarra à vida.

Até que a morte venha, sinto-lhe daqui as batidas do coração.

 

 

 

 

© antero de alda

 

«So you like to photograph old ladies? Look! I was very pretty when I was 23 years old. Would you like to see it?» MARIA MALTA 82 years old, single mother  PHOTO STORY

 

 

Vilar, Boticas, Maio de 2006.

 

#121 CAXEMIRA: O VALE DAS LÁGRIMAS...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© andy spyra

 

Kashmir valley of tears

O drama do povo da Caxemira começou em 1947, depois da criação dos estados do Paquistão (de maioria muçulmana) e da Índia (de maioria hindu). O conflito terminou com a divisão do seu território entre paquistaneses, indianos e chineses. No sul, a população do Vale de Caxemira (o chamado Vale das Lágrimas) é obrigada a conviver diariamente com mais de 700 mil soldados e forças paramilitares indianas, que ameaçam a sua cultura, a sua religião e a sua língua. Muitas dessas forças têm as suas bases dentro das próprias cidades, o que provoca a revolta das populações.

It's the longest unresolved conflict in the history of the United Nations - the fight over the valley of Kashmir. Kashmir is not a poor region: unlike the rest of India it has rich natural resources and most of it's population lives in (for indian standards) considerable good conditions. But the uprising of the militancy, which started in the early 1990's, changed the fate of the valley and turned it into the so called "Valley of tears" and the highest militarised zone in the world (...).

http://www.andyspyra.com/content/view/4/16/

 

Caxemira, 2008.

 

[ início ]  [ anterior ]  [ seguinte ]