
© vanessa winship
Série «Imagined States and Desires: A Balkan Journey».
| ZBIGNIEW PREISNER The Double Life of Veronika (ext.) |
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© vanessa winship
Série «Imagined States and Desires: A Balkan Journey».


© rui pires
Covas do Monte, S. Pedro do Sul, 2008.

Não sei "tirar" fotografias. É um facto que assumi já há muito, mesmo se cá em casa constantemente mo recordam, naquelas
datas oficiais que qualquer avó faz questão em ver congeladas em formato 10x15. A minha função de fotógrafo oficial de
aniversários, comunhões e afins cá do gangue é um fracasso: ou corto cabeças ou então fica tudo tremido.
Já dizia Lavoisier que "na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma"... Acontece que aprendi a tirar proveito dos
meus fracassos fotográficos e fui descobrindo que não fotografava por querer ser fotógrafo, antes porque gostava de ter sido
poeta. Esta é a verdade. E se com o lápis ou a caneta não o havia conseguido, na fotografia, perdoem-me a imodéstia, achei o
meio mais fácil para aspirar conseguir transmitir aquele algo que sentia estar para lá de mim. Por isso gosto de "fotografias
desfocadas".
Gosto que ao acto repentista de capturar uma imagem se siga depois, por um lado o prazer de descobrir se (apesar de desfocada
ou tremida) a fotografia "serve"; por outro lado, qual poema (lá está...), dá-me prazer trabalhar mentalmente as várias
abordagens que a mesma imagem pode ter, atribuir-lhe um significado hoje, outro amanhã, "reler" o que ela me pode querer dizer
ou constatar que alguém a sintoniza na mesma onda.
Termino com uma breve "estória": há muitos anos ouvi alguém na televisão contar que o seu pai, um grande apreciador de
música clássica e praticante de violino, depois de ter assistido ao vivo, no S. Carlos, a um concerto de um grande mestre desse
instrumento, chegou a casa, colocou o violino no chão, subiu a uma cadeira e deixou-se cair sobre ele, escavacando-o. Varreram-
-se-lhe de imediato todas as ilusões de que poderia, sequer, chegar à sombra daquele músico que vira.
No meu caso, as "fotografias desfocadas" têm-me servido como justificação para não trepar, ainda, à cadeira e saltar sobre a
máquina fotográfica.
Fiquem apenas com dois nomes que neste momento me têm dito bastante (utilizam variadas técnicas,
pinhole inclusive), ao ponto de eu ter adquirido até uma "Lensbaby" [ http://lensbaby.com/index.php ] (a ténue linha entre
foco/desfoque, uma lente poética...):
— Chris Ellinger (foto anexa «runner») http://www.ellingerphoto.com/
— Luca Lacche http://www.lucalacchephotography.net/indexmain.html

CHRIS ELLINGER, «Runner»

Viana do Castelo 2007
© paulo fogg


© leo simoes
Do projecto Silencio y olvido (desde 2008): «Etno-fotografías como densas invitaciones a las salas de estar y ser, y sus espacios
anexos, de los pobladores de una Alpujarra indomable. Un naturalismo mínimamente atrezzado, donde enseres comunes son
notas apenas perceptibles del interludio cotidiano, narrado con un lenguaje encaladamente nítido, y unos personajes que provocan
al objetivo, demandando al material resultante más foto-sensibilidad que nunca, y a la electrónica memorizar aquello que la amnesia
individual da por extinto. Con el derecho moral que conceden la cercanía y el respeto, se despliega un abanico público de variopintas
subjetividades — hoy, quizás reducidas; ayer, evocadoras de enormes vivencias.» (JAVIER BÚRDALO)


© antero de alda
Mais do que uma representação míope [o título básico poderia ser «Miopia(s) com Luz»], uma fotografia tremida ou desfocada
pode representar um processo de phothos=luz + graphein=grafia, escrita com o fenómeno do erro (dis)grafia. Para os
orientais esta disfuncionalidade pode ser ainda mais grave, pois photographia define-se, neste caso, por sha-shin, que significa
reflexo da realidade. Mas, que realidade transmite uma fotografia assim, desfocada?
Philippe Dubois (O acto fotográfico e outros ensaios, Campinas, S. Paulo, 1994) distingue as outras artes da fotografia por
entender que a esta cabe uma função documental, uma referência, um conteúdo. Segundo este autor, todos os esforços
de melhoramento do processo ao nível da manipulação laboratorial visavam um maior mimetismo — a absoluta aproximação à
realidade. Este conceito foi, naturalmente, muito contestado.
Boris Kossoy (Realidades e ficções na trama fotográfica, S. Paulo, 1999) ajuda-nos a compreender como a fotografia pode ser
objecto de múltiplas realidades: para além de instrumento histórico, ela pode ser tomada como uma verdade em si, susceptível de
ser analisada segundo diferentes contextos.
Até meados do século XX a fotografia estava muito associada a um conceito escolástico ainda muito primitivo; a Academia
cerceava o seu lado criativo e — segundo o ponto de vista de Roy Arden — só aos Mestres era concedido o privilégio de
conceber projectos e de «os conduzir segundo os critérios em vigor no mundo da arte...». Ainda para Roy Arden, a partir dos
anos (19)60 o modus operandi da Academia passou então a ser o "projecto".
Ainda assim, Jean-Marc Bustamante revela-nos como após o Maio de 68 se confrontou com a necessidade de fugir das duas
tendências fotográficas da altura: a «criativa» (do "projecto", muito académica) e a jornalística (da foto-reportagem). Segundo
Bustamante, mais do que a fotografia como arte interessava-lhe explorar a arte como fotografia. E esta ganhou a dimensão de
quadro, de objecto.
Entretanto, segundo diversos teóricos do léxico fotográfico e não só (com legítimo destaque para Ansel Adams, na perspectiva do
emissor: «Podemos visualizar diferentes interpretações de um único objecto e então escolher e realizar a que mais se aproximar
das nossas intenções subjectivas e artísticas...», A Câmera, S. Paulo, 2000), nos processos mecânicos, ópticos e químicos que se
encontram entre o objecto fotográfico e a sua representação pode o fotógrafo destacar ou encobrir a realidade, mas não é certo
que consiga eliminá-la completamente.
Destas reflexões, poderá a muitos fotógrafos interessar saber se algumas das suas imagens desfocadas atingem ou não essa
dimensão iconográfica desde sempre referida por um dos maiores teóricos do assunto: Charles Sanders Peirce.
Algumas fontes:
1. ENTRE A PINTURA E A FOTOGRAFIA PUBLICITÁRIA, O DESFOCAR: UM DISCURSO DO TEXTO IMAGÉTICO, de Alexandre Huady Torres Guimarães
2. O MEU UNIVERSO, blogue de Carlos Vilela
Senhora da Pena, Mouçós, Vila Real, Setembro de 2008.

© carlos vilela
Paulo Fogg. Amor com amor se paga ;)

© alfredo muñoz de oliveira
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
VINÍCIUS DE MORAES
Para a minha Mulher, amante, amiga e cúmplice que me acompanha nesta viagem.
Salamanca, num Hotel numa rua qualquer, 2008.






© carlos vilela
Estes auto-retratos são reais, foram tirados por mim.
Nem sempre foi fácil. Só não levei a câmara para o bloco operatório porque não me deixaram :)
Como forma de exorcizar, vou partilhando… a minha vida e minha intimidade.
Não viram nada!!! De mim… muito há para ver, muito para dizer e muito para fazer… Sou teimoso.
Este é um trabalho que teve um início e não sei quando terá fim...
Não sei se será uma “Catedral” ou um “Ao cimo de mim” ou “O meu canto”, a ver vamos…
Obrigado. Está tudo bem.

© cristina do vale e vasconcelos
Perco-me no horizonte
sem estender a mão
a ti
que partes sem partir
sem regresso
a mim
que anseio perder
sem retorno
CRISTINA DO VALE E VASCONCELOS

© alfredo muñoz de oliveira
Podemos nós fotografar tudo o que nos apetece e roubar a "alma" do fotografado?