
© cristina do vale e vasconcelos
Paris.
| ALESSANDRO BOSCHI Empuriabrava |
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© cristina do vale e vasconcelos
Paris.

© carlos vilela
Santo Tirso, 2008.

© paulo fogg
esqueci muitas vezes tudo o que aprendi:
a vida: amar-te-ei, tu serás mil pessoas,
regressarei sozinho a casa e esquecerei
tudo o que aprendi.
JOSÉ LUÍS PEIXOTO
Anémona de Janet Echelman
Matosinhos, 2009.

Outonal

O rio em chamas...
© eduardo teixeira pinto
Amarante, anos 1950/60/70...


© alfredo muñoz de oliveira

© joão veríssimo
O BURGO
Que todas as ruas da nossa cidade não deslembrem o lamento dos seus filhos, testemunhado pelas vozes já sem apelo, que nunca serão acordadas!
Não podemos fazer nada, amor, nada além de oferecer os nossos corpos à calçada e assim rasgar o sudário de enxofre, a muralha de gelo que amamenta as paixões e as paisagens expurgadas do ar, mas que também guarda a caminho o cheiro da vida, da morte ausente nas esfinges.
Todas as árvores da nossa cidade são divinas!
Possa eu ser o lobo nascido de um tronco selvagem, possas tu ser o lar em voo nos ramos, que o sonho compulsivo do destino e o vento criado pelos meus dedos, se tornarão sempre numa carícia aborígene, instintivamente tua e inesgotável pelo labirinto de paredes humilhadas, sob o nome tumular das ruas. Todos os animais da nossa cidade são divinos!
Vagabundos seremos e mesmo quebrados no dorso trespassamos o chão, apenas com a serenidade de um olhar soporífero.
Como deuses clementes de espírito indomável, teremos colhido na descida o vinagre sem o fruto e semeado a cura pelos espinhos, antes da sua invocação pela terra?
Livre do pecado, da virtude e da culpa, a teia conjurada por um inferno defunto, mudaria hoje de coração e de órbita urbanos, antes de partir e regressar da nossa cidade e deste tempo?
Possamos nós declarar e declamar a morte súbita de todos os verdugos impostores, ao viver gentilmente em guerrilha!
Possamos nós tragar nas ruas, a ambrósia cultivada no templo que mora acima do silêncio, do gesto e do verbo, para enterrar o vazio no corpo famélico dos sonhos!
JOÃO VERÍSSIMO
Da série «A Cidade Recolhida»
Laranjeiro, 2003.


© manuel navarro forcada
Segundo Arthur H. Westing, conhecido professor do Hampshire College, para além do «agente laranja» o Pentágono utilizou vários outros esfoliantes igualmente com códigos de cor, como o «agente branco», o «agente azul» e o «agente violeta». Trinta e tantos anos depois, continuam a fazer o seu trabalho...
Vietname, 2001.

Malak, de 9 anos, foi ferido num atentado numa estrada de Kirkuk. As queimaduras desfizeram-lhe os dedos das mãos.

O pai do pequeno Abdullah lê uma passagem do Corão antes de mais uma intervenção cirúrgica.
© jiro ose
A escalada de violência no Iraque levou a organização francesa Médecins Sans Frontières (MSF) a abandonar o país. Ao abrigo de um protocolo de colaboração, a MSF conseguiu que algumas das vítimas da guerra (crianças, principalmente) fossem recebidas pelo Jordan Red Crescent Hospital, de Amã, na Jordânia, para realizarem cirurgias reconstrutivas.
Because of the escalating violence in Iraq, MSF France pulled their international staff from Iraq three years ago. Now they assist Iraqi hospitals across the border by providing drugs and medical supplies. They also set up a surgical program in cooperation with the Jordanian Red Crescent Hospital in Amman where they perform reconstructive surgery for patients who have been handicapped by injuries or incomplete procedures free of charge, including transportation from Iraq and back after the recovery.
Amã, Jordânia, 2008.







© antero de alda
Os primeiros troços da Linha do Douro foram mandados construir em 1867: têm cerca de 140 anos. O comboio que serve actualmente as populações das cidades-dormitório da periferia do Porto (Ermesinde, Valongo, Paredes e Penafiel) foi modernizado e é hoje um veículo de transporte igual aos das outras grandes metrópoles da Europa. No entanto, algumas carruagens que seguem até à estação do Pocinho (em tempos chegavam mais longe, até Barca d'Alva) circulam há mais de 30 anos.
A partir da estação de Pala o trajecto faz-se lado a lado com o rio e o comboio parece querer entrar nas águas do Douro.
No Verão, os turistas arriscam esta viagem de cerca de 163 quilómetros, que chega a demorar 3 horas e meia, só para poderem usufruir das magníficas paisagens desta região do Vinho do Porto — Património Mundial da UNESCO. Mas a grande maioria dos utentes que circula entre as pequenas estações e apeadeiros são operários indiferenciados, pequenos comerciantes e idosos sem meios de transporte próprio, que têm de se deslocar diariamente para o seu trabalho, visitar familiares e amigos ou fazer as suas compras nos mercados locais. Fazem «vidas de comboio».
The first sections of the Douro Line were built in 1867: they are about 140 years old.
The train, which currently serves the populations of towns on the outskirts of Porto (Ermesinde, Valongo, Paredes and Penafiel) has been modernized and is now a transport vehicle equal to the equivalent in many other large cities of Europe. However, some coaches that lead up to the station Pocinho (once reached further, to Barca d'Alva) have been circulating for more than 30 years.
From Juncal, the path is made alongside the river and the train seems to enter the waters of the Douro.
In summer, tourists venture this trip about 163 miles to get to take 3 hours and a half, just so they can enjoy the magnificent landscapes of this region of Port Wine — which is a UNESCO World Heritage site and was driven by the Portuguese, Spanish and English nobility. But the great majority of users that runs between the small stations and stops are unskilled workers, small shopkeepers and old people without their own means of transport, who have to travel daily to their work, visit family and friends or do shopping in the markets. They make «train lives».
Viagem no comboio da Linha do Douro: Porto (S. Bento)-Pocinho, Setembro de 2009.
VIDAS DE COMBOIO [Foto-reportagem]