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Fotografias de Mar2007 e Set2008

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                        Vilarinho Seco

Barroso Encontro com

                               Felicidade Coelho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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[A literatura mostra-nos] «As fadas, mulheres divinas, boas ou más, como símbolo do poder e as mulheres terrenas, premiadas ou castigadas, como símbolo da submissão ao poder masculino.» (MENDES, Mariza B. T., 2000: Em Busca dos contos perdidos: O significado das funções femininas nos contos de Perrault. São Paulo: Unesp, pp. 105-106).

  

   A civilização ocidental (cristã ou muçulmana, grega e romana) é patriarcal, arrogante e indisciplinada. Não existem costureiras famosas, cozinheiras famosas, cabeleireiras famosas apesar da costura e da cozinha e da estética serem tradicionalmente formas de subsistência (mais do que de identidade e afirmação ou poder) tipicamente femininas. A família é o mundo do homem por excelência, onde crianças e mulheres permanecem como seres quase insignificantes e amedrontados: não é ao homem que compete beijar a mão do clérigo...

 

   Ser mulher no Portugal interior, serrano e profundo, é quase sempre e ainda sinal de dor e de luto. Lenços negros são indícios de perda: perda da juventude que tudo ameaçou ou perda do chefe da família que foi dominante ou – ainda mais doloroso – as duas perdas ao mesmo tempo.

  

   Não há alegria nas viúvas senão quando a indisciplina feminina ultrapassa o exagero da indisciplina dos homens. Chamam-lhe aviltamento, desonra!

 

   Aqui, o silêncio é de ouro para as fêmeas. É do macho que se espera a bem-falância: a oratória e a gravata compõem a personalidade masculina.

 

 

 

 

 

 

 

Reencontro com

Felicidade Coelho

Set2008

 

 

VIDEO STORY 2'28

 

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   Beijem-se, multidões! Parece ser este, apesar de tudo, o único grito musical destas mulheres quase sem existência, resignadas e altruístas; sem outro poder senão o de tratar do insignificante (a cozinha, os filhos…). Mulheres tantas vezes em lágrimas, mas sempre à espera de um mundo melhor, ensaiando por fim uma fuga, um hino à alegria.

 

«Beijem-se, multidões» ou «Prostrai-vos ante Ele, milhões» («Lhr stürzt nieder, millionen?», segundo outra interpretação), compõe uma estrofe da 9ª Sinfonia de Beethoven, num juramento de fé único em Deus.

 

 

 

NON OMNES, QUI MANE MICANT, SUB VESPERE LUCENT

Da tua ciência vã

Não faças jamais alarde.

Há quem arda de manhã

E seja carvão à tarde.

 

 

 

 

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