contacto

poesia

fotografia

home

 

  Post 009 -  Agosto de 2007  

 

foto: Carlos Vilela 2010

 

 

www.anterodealda.com

 

 

Recentes

 

manual de sobrevivência [ VI ]

manual de sobrevivência [ V ]

manual de sobrevivência [ IV ]

manual de sobrevivência [ III ]

 

 

Antigas

 

 

sombras [ José Gomes Ferreira ]

Phoolan Devi [ a valquíria dos pobres ]

schadenfreude [ capitalismo e inveja ]

a vida não é para cobardes

europa

a III Grande Guerra

FUCK YOU!

EU — die 27 kühe [ as 27 vacas ]

europa tu és uma puta!

bastardos!

o daguerreótipo de Deus...

o honrado cigano Melquíades...

cem anos de solidão...

manual de sobrevivência [ II ]

o salvador da América [ Allen Ginsberg ]

o salvador da América [ Walt Whitman ]

[ revolução V ] as mães do Alcorão

[ revolução IV ] paraíso e brutalidade

[ revolução III ] andar para trás...

[ revolução II ] para onde nos levam...

[ revolução I ] aonde nos prendem...

o problema da habitação

cartas de amor

a herança de Ritsos

as piores mentiras

elegia anti-capitalista

da janela de Vermeer

manual de sobrevivência [ I ]

de novo o Blitz...

antes de morrer

as valquírias

forretas e usurários

           [ lições da tragédia grega ]

Balthus, o cavaleiro polaco

abençoados os que matam...

diário kafkiano

Bertrand Russell: amor e destroços

U.E. — game over

DSK: uma pila esganiçada

coração

kadafi

o tempo e a eternidade

Bucareste, 1989: um Natal comunista

mistério

o Homem, a alma, o corpo e o alimento

          [ 1. a crise da narrativa ]

          [ 2. uma moral pós-moderna? ]

          [ 3. a hipótese Estado ]

o universo (im)perfeito

mural pós-moderno

Lisboa — saudade e claustrofobia

          [ José Rodrigues Miguéis ]

um cancro na América

Marx, (...) capital, putas e contradições

ás de espadas

pedras assassinas

Portugal — luxúria e genética

rosas vermelhas

Mozart: a morte improvável

1945: garrafas

1945: cogumelos

bombas de açúcar

pão negro

Saramago: a morte conveniente

os monstros e os vícios

porcos e cinocéfalos

o artifício da usura

a reserva de Mallarmé

o labirinto

os filhos do 'superesperma'

a vida é uma dança...

a puta que os pariu a todos...

walk, walk, walk [Walter Astrada]

Barthes, fotografia e catástrofe

Lua cheia americana [Ami Vitale]

a pomba de Cedovim

o pobre Modigliani

o voo dos pimparos

o significante mata?

a Europa no divã

a filha de Freud

as cores do mal

as feridas de Frida

perigosa convivência

—querida Marina! («I'm just a patsy!»)

a grande viagem...

histoire d'une belle humanité

o coelhinho foragido

o sono dos homens...

«propriedade do governo»

os dois meninos de O'Donnell

o barco dos sonhos

farinha da Lua

o enigma de Deus

«nong qua... nong qua...»

«vinho de arroz...»

magnífica guerra!

a lei do Oeste...

Popper (1902-1994)

 

 

 

SnapShots

 

 

os dias todos iguais, esses assassinos...

 

os dois meninos de O'Donnell

 

 

 

    

'John John salute' e o menino de Nagasaki
fotos JOE O'DONNELL
 


 

Em Dezembro de 1945 o exército americano estava estacionado em território japonês, depois da rendição de Hirohito e das tristemente célebres tragédias atómicas. Fazia parte do corpo de fuzileiros navais norte-americanos um jovem de 23 anos, de seu nome Joe O’Donnell, que havia já servido o seu país na guerra na Coreia. Não obstante, o seu «serviço» não era o de um vulgar fuzileiro: segundo dizem, O’Donnell não tinha a mais pequena predisposição para matar japoneses e felizmente não lhe deram uma arma como outra qualquer… deram-lhe uma máquina fotográfica.

 

Distanciado, assim, dos deveres de uma guerra convencional, o marine O’Donnell não teve grandes hipóteses de morrer em campo de batalha, mas o seu trabalho de documentar a devastação provocada pelas bombas provocou-lhe um tormento físico e psicológico de que jamais conseguiu separar-se. Durante toda a sua vida foi perseguido por sucessivas doenças provocadas pelas radiações a que ficou exposto no Japão, mas ele próprio admitiu que esse sofrimento era o menos comparado com a dor dos familiares das vítimas de Hiroshima e Nagasaki… Isso mesmo disse Anne Brown, da Arts Company, que publicou grande parte das suas fotografias: «Ele sofreu muito, mas sempre evitava falar disso porque sentia que a dor do japonês era mais importante que o seu próprio sofrimento.»

 

Contratado pela Agência de Informação norte-americana pouco depois da Segunda Guerra Mundial, Joe O’Donnell tornou-se o fotógrafo oficial da Casa Branca nas presidências de Roosevelt, Truman, Eisenhower, Kennedy e Johnson! O seu talento era notável, mas alguém esperava que um repórter de guerra pudesse fazer um ‘Jackie Kennedy frontal view’ (closeup) como num retrato de Warhol a PB?

 

Na verdade, O’Donnell é o autor de célebres reportagens, como a Conferência de Tehran com Estaline, Churchill e Roosevelt e os encontros de Kruschev com Eisenhower, Churchill com Nixon, Kruschev com Nixon… Mas, do mesmo modo que registou com a sua câmara as guerras na Coreia e no Japão, acabou por testemunhar a própria tragédia que se abateu sobre a América com o assassinato do jovem presidente Kennedy. São duas realidades distintas, é verdade, mas O’Donnell fez o trabalho que lhe competia: realizou em Washington o famoso «John John salute» decerto com o mesmo sentido de responsabilidade com que fotografou em Nagasaki a criança que carregava às costas o cadáver do seu irmão para o crematório. E curiosamente, tal como Eugene Smith, casou-se com uma japonesa, a também fotógrafa Kimiko Sakai…

 

Morreu num hospital de Nashville, no dia 10 de Agosto, com 85 anos de idade. Decerto, com o sentido do dever cumprido.

 

 

 

anterior  |  início  |  seguinte

 

 

 

A alma tem muitos inquilinos

que estão frequentemente em casa todos ao mesmo tempo.

GÖRAN PALM

 

webdesign antero de alda, desde 2007