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  Post 155 -  Março de 2014  

 

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o trabalho não mata

[ com dois poemas de João Almeida ]

 

 

 

Belmiro de Azevedo é um conhecido empresário de sucesso em Portugal. Em 2013, a revista americana Forbes incluiu-o na sua lista de homens mais ricos do mundo.

 

há homens que têm os intestinos

na boca

Sabendo-se que a cultura de Belmiro de Azevedo não vai muito para além da ardilosa capacidade para ganhar dinheiro, algumas das suas declarações à imprensa enquadram-se perfeitamente na actual tendência da União Europeia para promover um conjunto de leis laborais só comparáveis à China, Índia, Malásia e Bangladesh.

Diz ele que «sem mão-de-obra barata não há emprego» (Jornal de Notícias, 18 de Março de 2013), e mais, que «os alemães, por hora, fazem três ou quatro vezes mais do que os portugueses», concluindo que os salários só podem aumentar «quando os portugueses trabalharem como os alemães» (Diário de Notícias, 6 de Março de 2014). Diz agora que «o trabalho não mata, estar quieto é que provoca obesidade» e «só sou exigente para os mandriões» (Jornal de Negócios, 10 de Março de 2014). Tudo isto, digno de alguém que, não defendendo o aumento dos salários, em 2013 viu crescer a sua fortuna pessoal em 138%!

 

por amor ao dinheiro

Belmiro de Azevedo diz ainda, nas mesmas declarações desta segunda-feira, 10 de Março, que se levanta todos os dias às cinco e meia da manhã e chega a casa às 20 horas. Algo que os funcionários das caixas dos seus hipermercados jamais poderiam fazer com vencimentos líquidos inferiores a 450 euros.

 

Pois, se o trabalho não mata, é porque liberta. Era o que se dizia em Auschwitz por amor à raça. É o que se diz agora também em Portugal por amor ao dinheiro.

 

 

 

foto: NELSON GARRIDO Jornal Público, 2013.

O trabalho não mata, diz este homem. Pois, o que pode matar são os salários que ele paga aos trabalhadores dos seus hipermercados.

 

 

 

1.

a tua vida meu irmão verdadeiro

eras tão pequeno e os ricos

debicaram-te o fígado

cansaram-te as manhãs de encontro aos

rolamentos

ao óleo das máquinas industriais

isso nunca passou, não é memória

ou depois de ti o mal acaba

 

e eu não renuncio o tiro absoluto

ou a faca no lado direito

espetada até ao último suspiro do

homem mau.

JOÃO ALMEIDA

El pasao

in A Formiga Argentina, 2005.

 

 

 

2.

que não me falte a comida

e que a tosse dos meninos passe depressa

na noite

e o mundo fique uma estrada plana.

JOÃO ALMEIDA

Pay per view

in Um Milagre no Caminho, 2011.

 

 

 

 

____

o desencontro

Belmiro de Azevedo é considerado pela revista Forbes um dos homens mais ricos do mundo, mas ao longo de toda a sua vida tem produzido um conjunto de declarações miseráveis, que revelam uma lamentável desumanidade.

João Almeida nasceu em 1965, vive em Guimarães e é um pobre poeta cujo nome decerto nunca constará na revista Forbes.

 

 

 

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que estão frequentemente em casa todos ao mesmo tempo.

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