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  Post 201 -  Abril de 2015  

 

foto: Carlos Vilela 2010

 

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os dias todos iguais, esses assassinos...

 

 

Tudo tem um preço, dizia o libertino de Laurence Dunmore: «Deixais cair um lenço e ele volta para vos sufocar.»

Vítima dos meus pequenos deslumbramentos, até eu acredito que há sempre um deus imperfeito no caminho de um homem tolo.

 

 

 

enganados

 

 

O BES — Banco Espírito Santo, por muitos considerado o maior banco português — faliu em meados do ano passado, e nos últimos meses são inúmeras as notícias de manifestações de antigos clientes que ficaram sem o seu dinheiro. Alguns destes depositantes acusam aquela instituição financeira de utilizar, sem prévia autorização, as suas economias em "papel comercial".

Há testemunhos verdadeiramente dramáticos de muitas pessoas que estavam a preparar uma vida desafogada e têm agora de confrontar-se com a miséria, a solidão e a velhice, em certos casos impossibilitados de recorrer às poupanças de uma vida inteira de trabalho para debelar situações de súbitas doenças graves. E há, evidentemente, os outros, que sabiam que estavam a apostar em capital de risco e acreditavam que o banco do regime lhes proporcionava infinitos dividendos a coberto dos interesses do Estado e da Igreja, da República corrupta e da Monarquia cúmplice, da Opus Dei, da Maçonaria "negra", do Santo Graal...

De uma ou de outra maneira, em qualquer dos casos todos foram enganados.

 

 

 

Woody Allen com Mariel Hemingway, em 1979, numa cena do filme Manhattan.

foto © United Artists Corporation

 

 

Em 1979, pouco depois de terminar as filmagens de Manhattan, Woody Allen dirigiu-se a casa dos Hemingway, em Idaho, para convidar a jovem atriz Mariel a viajar consigo até Paris, constando-se já que o realizador norte-americano nutria uma paixão mais do que platónica pela neta do autor de O Velho e o Mar. A revelação é feita pela própria Mariel Hemingway, na sua autobiografia "Out Came the Sun" que a editora Regan Arts acaba de publicar. Mariel, então com 18 anos, terá perguntado a Woody Allen: «Você garante-me que me leva a Paris e não me obriga a dormir na sua cama?» Segundo a própria, o realizador abandonou Idaho na manhã do dia seguinte...

 

Naturalmente, e ao contrário de muita gente crescida que anda pelo mundo à procura de grandes lucros em negócios fáceis, a jovem neta de Ernest Hemingway já calculava que não poderia ir a Paris a convite de Woody Allen sem ter que ir para a cama com o próprio Woody Allen.

 

 

 

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A alma tem muitos inquilinos

que estão frequentemente em casa todos ao mesmo tempo.

GÖRAN PALM

 

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