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cartas de
amor
Entre a cegueira e a ternura. Entre o ridículo
pessoano («Todas as cartas de amor são ridículas») e o
estranho racional nietzschiano («Há sempre alguma loucura no
amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura»).
Para a Margarida.

Carta de amor de
Outubro de 1986 (pormenor).
ANTERO DE
ALDA
Escrevi muitas. E em algumas fiz-me
(talvez) mais louco do que provavelmente fui. Mais louco ou
(talvez) mais ridículo ou (afinal) mais impreciso, sofrendo por não poder — ou não saber — imediatamente anular com ternura essa minha imprecisão no
amor.
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«Depois dos meus dramas de transeunte/em tudo comum aos
demais/depois dos dramas da minha sobrevivência/depois dos cálculos
sistemáticos das probabilidades todas/quase vontade de dominar o
acaso/ou tornar previsto o imprevisível/depois de tudo isso/penso
nela e sofro por não poder imediatamente anular com ternura/a minha
imprecisão no amor...» FRANCISCO MARIA PROVIDÊNCIA
Francisco Maria Providência foi meu colega de curso na Escola
Superior de Belas-Artes do Porto e dele incluí seis poemas em
"memória de hibakusha e outros poemas" (ed. AJHLP, 1986).
É actualmente um designer consagrado.

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